Trabalhar com Responsabilidade Social

terça-feira, 12 maio, 2009

O termo Responsabilidade Social tem sido repetido em muitas rodas de negócios, empresas passam a adotar seus princípios como requisitos em contratos de serviços, entidades representativas da sociedade têm criado indicadores que medem o grau de atuação das organizações em busca do desenvolvimento sustentável.

A mudança nos padrões de consumo tem se tornado fator predominante na decisão das empresas em trabalharem de forme socialmente sustentável. Com o aumento do acesso às informações e a consequente conscientização dos consumidores, a exigência quanto a produtos de qualidade e que atendam princípios sócio-ambientais tem aumentado significativamente.

As pessoas passam a investigar a origem dos produtos, desde a retirada da matéria-prima da natureza, até a condição de descarte do produto final. Vide o movimento das ecobags, sacolas ecológicas que substituem gradativamente os sacos plásticos dos supermercados. A pressão que mais e mais consumidores fazem para que grandes empresas passem a atuar socialmente, culmina, por exemplo, na criação de fundações privadas com o objetivo de financiar projetos e iniciativas sociais, como Fundação Bradesco, Fundação Itaú, Instituto Wal-Mart, entre outras.

Além de atender mercado e comunidade, uma empresa socialmente responsável atrai investimentos, uma vez que está comprovado que empresas sustentáveis geram melhores resultados de longo prazo para acionistas, pois estão mais aptas a enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais. Em função dessa demanda realizada por investidores, a BOVESPA em conjunto com várias outras organizações criou o Índice de Sustentabilidade Empresarial, tornando-se um referencial para os investimentos socialmente responsáveis.

Há um destaque especial para a cadeia de valor que se cria ao trabalhar com o relacionamento com stakeholders. Desde que a empresa trabalhe com políticas claras de relacionamento com seus clientes, fornecedores, acionistas e funcionários, o resultado final é uma rede de parceiros sólida e confiável, que gera resultados em “efeito dominó” e cíclico. Por exemplo: funcionários satisfeitos transformarão essa satisfação em produtos de maior qualidade, assim como clientes satisfeitos com a qualidade do produto, indicarão para outros potenciais clientes que se tornarão clientes efetivos por terem encontrado funcionários capacitados para atender a demanda. E assim por diante.

Para alcançar esses resultados, basta que sejam desenvolvidas ações simples que, com o tempo, são agregados à cultura organizacional. Podem ser consideradas como o primeiro passo para projetos maiores que envolvam mais complexidade. Essas ações podem tratar da comunidade, meio ambiente, governo, local de trabalho e mercado.

Destaque especial para a diminuição de custos e aumento de lucro quando se reduz desperdícios, repassa-se ao mercado materiais que podem ser reciclados e tornam-se matéria-prima para outros produtos. O aumento da produtividade baseada na ética e na transparência das relações. Toda ação pode gerar um retorno financeiro em médio e longo prazo.

Negar que esse movimento esteja acontecendo é ficar para trás, é perder espaço no mercado. Quanto mais cedo a empresa adere a esse movimento social, mais chances de sucesso ela tem, visto que a preocupação com a sustentabilidade é também se preocupar com a continuidade do consumo, é pensar em longo prazo, é assumir que as empresas não são finitas, que não foram criadas com data de validade. Uma vez esgotados os recursos do planeta, não haverá mais o que consumir.

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Água virtual

quarta-feira, 25 março, 2009

Aproveitando que dia 22 de março foi o dia escolhido anualmente para a discussão de temas sobre a água, pergunto a vocês: sabem quanto de água consumimos diariamente? Não estou falando da água usada para matar a sede, tomar banho, lavar roupas ou cozinhar, porém, da água que consumimos a partir de outros produtos: a água virtual.

Água virtual é a quantidade de água consumida para se produzir um bem ou serviço. É a água que você não vê, é aquela que foi gasta durante os processos da cadeia produtiva, da produção de matéria-prima até o consumo final.

No portal on line da revista alemã Focus (www.focus.de) foi divulgado um estudo realizado pelo holandês Arjen Hoekstra, disponibilizado no site “Water Footprint Network”, da Universidade de Twente. Esse estudo é uma representação de quantos litros de água são necessários para produzir bens, que, no caso desta reportagem, são alimentos.

Adiante, alguns dados sobre a utilização da água em alimentos que costumamos consumir diariamente. Lembrando que são considerados os gastos tanto com água na irrigação de pastos para a produção de alimentos para os animais que darão origem à carne e couro, quanto a quantidade de água gasta na irrigação na plantação de maçã, café, uva etc.

Alguns dos exemplos apresentados na reportagem:

  • Para cada quilo de queijo que se consome no café da manhã e lanches, são gastos 5.000 litros de água virtual. Pois, para cada quilo de queijo são necessários 10 litros de leite. Para a produção desse leite são consumidos 100.000 litros de água. A água é um dos alimentos das vacas leiteiras.
  • Uma maçã consome 70 litros de água virtual.
  • Um quilo de coco consome 2.500 litros.
  • A carne bovina consome 15.500 litros por quilo. Esse número é alto porque a quantidade de alimento (capim e/ou ração) que um rebanho consome não é proporcional ao seu ganho de peso. É sempre maior.
  • Para fabricar uma camisa de algodão são consumidos 2.700 litros de água.
  • O couro bovino precisa de 16.600 litros de água por quilo produzido. O volume pode ser maior ou menor, depende de qual animal o couro é extraído.
  • São utilizados, numa xícara de café, 140 litros de água. São necessários 21.000 litros para um quilo de café torrado. O chá é mais econômico, sendo necessário apenas 30 litros de água.
  • A cevada, grão utilizado na fabricação de cerveja e alguns remédios, consome 1.300 litros de água por quilo produzido. A produção mundial de cevada consome 190 bilhões de metros cúbicos de água por ano.
  • A produção de milho consome 900 litros por quilo. Países que importam milho também estão importando a água virtual.

Fez as contas? Agora vamos tentar imaginar como é possível reduzir o consumo de água nesses processos. Não possuímos todas as respostas, mas podemos evitar, por exemplo, o desperdício, reutilizar produtos, evitar outros e assim por diante.


Parcerias entre ONGs e empresas

quinta-feira, 15 janeiro, 2009

Quando a atuação das ONGs passa a ser mais efetiva no Brasil, a partir da década de 90, suprindo necessidades sociais que o Estado não era (e ainda não é, em muitos aspectos) capaz de atender, inicia-se um movimento de saída de recursos internacionais do país, tanto porque as instituições de cooperação internacional mudam seu foco para regiões menos privilegiadas, como a África, quanto porque estas instituições passam a perceber que o mercado privado e o Estado têm capacidade de assumir essa função de financiadoras.

Começa, então, a participação mais efetiva da iniciativa social privada no país, fortalecendo-se e ampliando-se cada vez mais. As empresas passam a adotar os investimentos em projetos sociais como diferencial competitivo, uma vez que, em paralelo a essas iniciativas começa-se a discutir os princípios e preceitos da responsabilidade social empresarial. Surgindo, através disso, as conhecidas parcerias entre empresas e ONGs.

Essas parcerias são estabelecidas mediante contratos de patrocínio em que a empresa cede os recursos necessários (físicos, financeiros e/ou humanos) para a execução de um determinado projeto social. Conquanto, dar-se início a uma relação de troca muito maior do que a apenas de recursos.

O método de gestão das empresas, até então, difere-se do método de gestão das ONGs. Enquanto uma está visivelmente preocupada com o retorno financeiro e de imagem que uma iniciativa vai oferecer, outra está preocupada com o impacto social que seu projeto vai gerar independente dos recursos utilizados. Então, as empresas estabelecem algumas regras para a utilização dos recursos que serão cedidos.

Regras essas estabelecidas antes mesmo do contrato de parceria. Para que uma ONG tenha acesso a recursos oriundos da iniciativa social privada, ela deve atender determinados pré-requisitos que comprovem que elas estão aptas a gerir tanto o projeto quanto os bens destinados a tal. Dar-se início à discussão sobre profissionalização do terceiro setor, adequação de métodos de gestão, avaliação e monitoramento de projetos sociais, implementação e divulgação de indicadores de resultados, entre outros. Ou seja, as ONGs passam a absorver conceitos mercadológicos, chegando a igualar sua estrutura gerencial e administrativa a de uma empresa de pequeno ou médio porte.

A influência da empresa financiadora do projeto passa a ser vista como uma relação de poder, como uma forma de dizer à ONG qual a forma correta de gerenciar seus projetos, com a conseqüência de ter seu patrocínio cortado caso não mostre a eficiência necessária. Mais uma vez, falamos de resultados gerenciais, baixos custos, boa gestão, metas atendidas, objetivos alcançados etc. Tem-se, dessa forma, uma privatização do setor social, como alguns teóricos chamam de setor 2,5 e não mais terceiro setor.

Essa influencia pode ser encarada de forma positiva desde que os requisitos impostos pelo financiador/patrocinador não batam de frente com a missão da ONG, que não a impeça de agir conforme seus valores e objetivos. Se essas exigências contribuírem para o alcance de impactos extraordinários, criação de tecnologias sociais que possam ser replicadas em outra comunidade e que, à medida que o tempo for passando, os problemas sejam sanados, é sinal de que a parceria foi um sucesso.

Cabe à ONG saber a quem recorrer, pois existem empresas que atuam na iniciativa social privada apenas por ter passado a ser uma exigência social e, cabe às empresas identificarem até onde podem exigir de uma ONG para que ela não perca sua identidade social. Há de se achar um meio termo.


Workshop de Responsabilidade Social

quinta-feira, 30 outubro, 2008

I WORKSHOP de RESPONSABILIDADE SOCIAL – Como implementar em uma empresa
em São Paulo

Muito se fala em Responsabilidade Social. Pouco se sabe como se pratica. Nesse curso, a DEARO, em parceria com a consultora Evelyne Leandro, aborda a prática da Responsabilidade Social de forma criativa, objetiva e atual. Os participantes estarão aptos ao final do curso a desenvolverem uma estratégia de ação de responsabilidade social para sua organização.

PROGRAMAÇÃO
– O conceito de Responsabilidade Social
• Histórico de RSE
• Princípios de RSE
• A importância dos stakeholders

– Idéias e Projetos de Responsabilidade Social
• Primeiros passos
• Pequenas e grandes ações
• Desafios

– Como utilizar INDICADORES;
– Como montar relatórios de sustentabilidade;
– Como montar balanços sociais.

– Sustentabilidade X Lucratividade
• O que sua empresa ganha com isso

– Cases importantes.

LOCAL
Faculdade Campos Elíseos –
Rua Vitorino Camilo, 644 – Campos Elíseos – São Paulo – SP. Próximo à estação do metrô Marechal Deodoro.

DATA
Terça-feira, dia 18 de novembro de 2008 das 9h às 17h.

INVESTIMENTO
– 3 parcelas de R$ 150,00 ou R$ 390,00 à vista.

– Desconto especial para ex-alunos, grupos da mesma ONG. Estão inclusos: lanche da manhã, lanche da tarde, material didático apostilado e certificado.

MINISTRANTE
Evelyne Leandro
– Administradora, pós-graduada em Marketing. Consultora especializada em Responsabilidade Social e Terceiro Setor. Desenvolve projetos de implantação do conceito de RSE e de iniciativa social privada. Atua na capacitação, sensibilização e mobilização de empresas e ONGs sobre desenvolvimento e gestão sustentável, destacando sua participação como consultora contratada dos projetos do Instituto Akatu abordando o consumo consciente. Tem artigos publicados em alguns veículos de comunicação, como a Revista Eletrônica de Responsabilidade Social e Mapa do Terceiro Setor.
Início: 18/11/2008
Término: 18/11/2008
Horário: Presencial – Dia 18 de novembro de 2008 das 9h às 17h
Cidade: São Paulo SP

Mais informações no site: http://www.ddearo.com.br


O capitalismo e a sustentabilidade

segunda-feira, 13 outubro, 2008

Capitalismo: sistema econômico, social e político que se baseia nas propriedades privadas e seus meios de produção. Onde a produção, a concorrência e a distribuição da riqueza são decididas livremente pelo mercado, tendo os preços das mercadorias definidos pela lei da oferta e procura.

Visto dessa maneira, parece ser um sistema simples de ser entendido e eficaz na sua aplicação. De certa forma, é. Contudo, quando cidadãos são livres para empreender, muitas vezes, opera-se a lei do mais forte e do mais rico. Para movimentar recursos, produzir e lucrar mais, acumulando mais e mais capital, as empresas e Estados buscam mecanismos frequentemente questionáveis.

O reflexo de toda essa ação gera um efeito, o predatório. Consumir e destruir recursos naturais em busca do crescimento e do lucro virou pré-requisito fundamental para que esse sistema continue em expansão. Marx e Engels já discutiam os ciclos econômicos do capital na perspectiva de bens de produção e de consumo e, baseando-se neles, o capitalismo destrói para voltar a se impulsionar. As guerras e as crises provocadas servem para alavancar o consumo, a mola propulsora do capitalismo.

Porém, o capitalismo evolui como tudo mais. A fase do capitalismo financeiro, junção do capital industrial com o bancário, transforma a realidade numa realidade relativa, pois nem todo valor gerado é real. A especulação, conseqüência da crise financeira atual, provoca maior exploração dos bens naturais de países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos (por causa de custos menores de produção, como mão-de-obra) para gerar a mais-valia que o sistema bancário não é capaz de gerar, porque ele não produz.

Nesse panorama, existem, pelo menos, três fatos que podem ser destacados diante da crise atual provocada pelos altos índices de consumo e a grande especulação realizada pelos bancos, analisados a seguir:

O primeiro fato: nos últimos 20 dias, o mercado financeiro acumulou perdas de mais de um trilhão de dólares. Os bancos venderam créditos e o consumo foi baseado em empréstimos e não em valor gerado através de aumentos de salários, por exemplo. Como esses créditos foram revertidos em consumo e não em produção, o capitalismo chegou a um limite, ocasionando prejuízos seqüenciais.

O segundo fato: nesses mesmos 20 dias e nos próximos, as grandes potências mundiais disponibilizarão quase dois trilhões de dólares para salvar bancos que estão quebrando devido aos créditos não pagos. Só os EUA, a Alemanha e a França lançaram pacotes econômicos de US$ 1,8 trilhão, aproximadamente. Esses pacotes servirão para acalmar o mercado financeiro, salvar bancos da quebra e evitar que isso atinja outros países.

O terceiro fato e o que quase ninguém discutiu: a organização internacional Global Footprint Network informou que o mundo consumiu, desde o dia 1º. de janeiro até o dia 23 de setembro de 2008, todos os recursos que a natureza seria capaz de produzir em um ano. O dia 23 de setembro, então, ficou conhecido como Global Overshoot Day (o dia da ultrapassagem do limite global). Isso quer dizer que, do dia 24 de setembro até 31de dezembro, o mundo viverá do cheque especial da Terra, excedendo o limite de renovação que o planeta é capaz de atender.

O que esses três fatos têm em comum? Simples. Ao passo que os EUA e outros países vivem da especulação do mercado financeiro e seus bancos comentem erros deixando que a crise chegue a um ponto que os governos são obrigados a intervir, o capitalismo financeiro exerce, cada vez mais, uma influência negativa sobre os recursos da Terra.

Como o capitalismo é baseado na produção e no consumo, e desde agora não há mais tantos recursos disponíveis para serem utilizados como matéria-prima, haverá um colapso na produção. Sem dinheiro e sem produtos, os capitalistas serão obrigados a reverem conceitos, a pensar de forma criativa, como apregoa o segundo homem mais rico do mundo, Bill Gates.

O que isso significa? Pensar de forma sustentável. Incluir no consumo (que faz a máquina girar) pessoas que não faziam parte desse sistema, a chamada Base da Pirâmide. Oferecendo maneiras de que ela possa gerar capital, atuando conforme sugere o tripé da sustentabilidade: com visão econômica, social e ambiental integradas.

Transformar o conceito de sustentabilidade no ativo das empresas e governos possibilitará que o sistema funcione de forma mais justa, deixando de punir a natureza e os países mais pobres como se fossem algo a serem evitados e ou até eliminados.

Se houvesse uma ação conjunta dos países mais ricos do mundo para ações sustentáveis, o que não seria capaz de acontecer? Ou será que você não pensou no que quase dois trilhões de dólares disponibilizados pelas potências mundiais para salvar bancos especuladores seria capaz de fazer para combater a pobreza e as desigualdades do mundo? Pense nisso.


Ação social das empresas do Nordeste

quinta-feira, 11 setembro, 2008

Um rápido panorama da Responsabilidade Social no país, com ênfase no Nordeste.

Segundo dados da segunda edição da pesquisa Ação Social das Empresas (2006) realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), sabe-se que 74% das empresas nordestinas fazem algum tipo de ação social. Ficando o estado da Bahia na frente, com 76% de participação. De 1999 para 2003, a atuação do Nordeste em projetos sociais cresceu de 55% para 74%, um aumento considerável em comparação com o estado de São Paulo que cresceu apenas 6% (de 67% para 71%) no mesmo período.

A maioria absoluta das grandes empresas (94%) realizou alguma ação social para a comunidade. Contudo, as microempresas têm uma participação expressiva, já que foi verificado que 71% delas contribuíram de alguma forma. Como as microempresas representam metade das empresas da região, elas influenciam fortemente a média de participação das empresas em ações sociais no Nordeste. Dentre os setores, o que mais se destacou foi o comércio com 56% de participação.

Apesar das empresas terem ampliado sua atuação no setor social, o aumento no aporte de recursos não foi proporcionalmente igual. Em 2003, as empresas nordestinas destinaram cerca de R$ 505 milhões para projetos em comunidades carentes, valor equivalente a 0,24% do PIB da região no mesmo ano.

Em informação adicional à pesquisa do IPEA, as empresas que realizaram atividades sociais em benefício de seus empregados representam um percentual menor que a participação total, 69%. E 57% das empresas que realizaram essas ações fizeram tanto para beneficiar a comunidade quanto para beneficiar seus funcionários.

A pesquisa confirma a liderança do estado de Minas Gerais com 81% de participação das empresas pesquisadas contra 76% das empresas da Bahia, seguidas dos demais estados do Nordeste.

No Nordeste não há diferenças relevantes entre a participação dos estados, uma vez que a variação ficou entre 76% da Bahia e 73% na média dos estados de Alagoas, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Entretanto, muitos desses investimentos se restringem ao assistencialismo e projetos pontuais, como campanhas de doações de alimentos, agasalhos, oferta de trabalho voluntário etc. Projetos que não impactam muito na realidade social das comunidades. O importante, nesse caso, é fazer com que o Nordeste veja na sua atuação social uma ponte para a Responsabilidade Social Empresarial, uma forma de gestão que auxilia na boa relação das empresas com seus parceiros, fornecedores, clientes internos e externos, além da comunidade, proporcionando o desenvolvimento sustentável em várias esferas.

Agora, o trabalho está em divulgar e ampliar a Responsabilidade Social Empresarial. Vamos?


Empresas e seus funcionários voluntários

quinta-feira, 28 agosto, 2008

Certa vez, ouvi de um colega do curso de pós-graduação que o chefe dele não sabia que ele tinha aula às sextas à tarde (uma vez por mês), pois, a empresa não liberava. Como ele trabalha mais visitando clientes que no escritório, ele podia estar presente na aula enquanto telefonava para os clientes e, ao mesmo tempo, atendia ao chefe.

Ele completou meu espanto dizendo: “as empresas querem que você se capacite, mas não liberam horas do seu dia de trabalho para que isso seja realizado.” Algumas empresas pagam cursos de extensão e especialização para seus funcionários, mas querem que eles façam isso em suas horas vagas. Se houver um curso que ocorra durante o expediente, muitas vezes, os funcionários são impedidos de fazer. É paradoxal. Mas, é fato.

O mesmo ocorre com empresas que “vendem” o fato de que estimulam seus funcionários a participarem de programas de voluntariado. Muitas delas, desde que seja fora do horário de trabalho, nos finais de semana, por exemplo. A pergunta que faço é: nesse caso, o funcionário está fazendo por ele ou pela empresa? Uma vez que ele está dedicando um tempo dele para o trabalho voluntário, porque é a empresa que está se beneficiando dessa publicidade?

Se a empresa deseja ter um programa de voluntariado, por que não adotar uma creche, uma escola ou um asilo, permitindo que seus funcionários doem duas horas de trabalho semanais para isso? Essa, sim, é uma ação da empresa. Quanto vale duas horas de trabalho semanais de cada funcionário? Muito menos do que o impacto que essa ação causará na empresa.

O resultado é outro. O funcionário faz por ele e pela empresa. A empresa é representada por seus funcionários (muitas vezes fardados) dentro da organização. E a gratidão, de ambos os lados, também é bem maior. Todos sabem que trabalho voluntário edifica e engrandece.

Então, empresário, adote essa idéia.