Um exemplo de Responsabilidade Social Individual

quinta-feira, 12 novembro, 2009

A responsabilidade social é o compromisso que se tem em agir com ética e transparência, respeitando os atores sociais e assumindo um compromisso com o desenvolvimento sustentável.

A responsabilidade social, porém, não é um ato que deve ser exigido apenas a empresas, governos e entidades do terceiro setor. Apesar de esses atores sociais terem uma grande participação no que acontece no mundo atualmente, são as pessoas que definem o rumo que as ações tomam no dia a dia.

Quando você decide não consumir mais sacolas plásticas, deixar o carro na garagem dois dias na semana, pesquisar melhor os candidatos das próximas eleições ou doar um pouco do seu tempo para atividades voluntárias, tanto você está exercendo a sua cidadania, como atuando de forma socialmente responsável. É a sua responsabilidade social individual, a que define quem você é e o mundo que você quer ter para si e para os outros.

Um bom exemplo de responsabilidade social que apresento hoje é o projeto realizado por Sandra Santos, dona do blog Mineirinha n’Alemanha. Lá ela escreve sobre a sua vida no país que escolheu como segunda morada, vivendo na Alemanha há mais de 15 anos.

Sem julgamentos e preconceitos, ela mostra como a vida em outro país funciona, dá dicas importantes para todos que desejam conhecer um pouco mais sobre política, economia, sociedade e cultura alemã, ajuda pessoas que desejam se tornar expatriados, e, acima de tudo, atua de forma a integrar Brasil e Alemanha promovendo encontros entre esses dois países, sendo na realização de um show de um cantor brasileiro em uma cidade na Alemanha, ou a divulgação de um evento alemão no Brasil.

Dando asas a esse trabalho de integração de estrangeiros e expatriados, a Mineirinha Sandra decidiu transformar o seu blog em livro, para fazer chegar a mais mãos a informação que ela disponibilizou em mais de seis anos na Internet. Mais informações sobre o livro aqui.

Conheci a Mineirinha pesquisando por pessoas que morassem na Alemanha, simpatizei-me com a sua forma de se expressar e hoje somos “correspondentes”. Fui leitora de seu livro e sou leitora de seu blog. Posso dizer que há muito conhecimento e informação para serem absorvidos.  Ela começou a sua responsabilidade social individual atingindo milhares de brasileiros que vivem ou viverão essa experiência de morar em outro país, apoiando o seu processo de adaptação e integração.

E você, qual a sua responsabilidade social?


O custo do comportamento consciente

quinta-feira, 24 setembro, 2009

Em alguns lugares do mundo, inclusive na Europa, os cidadãos são compelidos a agir de forma consciente quando o assunto é sustentabilidade. Mas, de onde vem essa consciência? Como entidades governamentais, sociais e empresariais estimulam que a sociedade aja em prol da sustentabilidade?

Essa educação vem, principalmente, de uma palavra: custo. Uma perda financeira serve para alertar o cidadão que ele não está agindo de forma consciente e deve repensar seus hábitos. Do custo, surge a reflexão, a pesquisa, a informação. Assim, criam-se consumidores que conhecem as origens, formas de produção, uso e descarte do bem que deseja adquirir.

Abaixo, alguns exemplos de ações adotadas por países como a Alemanha.

A educação para a ordem:

Os carrinhos de supermercado largados no meio do estacionamento atrapalhando manobras e pedestres são um pesadelo distante na Alemanha. Para usar um carrinho, deposita-se € 1,00 num dispositivo e o carrinho está livre para utilização. Para ter o dinheiro de volta, é preciso devolver o carrinho para o mesmo lugar.

Redução da poluição nos centros das cidades:

Precisa ir ao centro? Vá de transporte público. Além de funcionar com bastante pontualidade e conforto, você ainda pode ter, ao menos, quatro opções de transporte: ônibus, bonde e metrô e trem. Quer ir de carro? Pode ir. Mas, não reclame a falta de estacionamento gratuito nas ruas comerciais. Não há. Se estiver disposto a pagar € 2,00 ou mais por hora, fique à vontade. Sai muito mais caro do que pagar pelo transporte, tenha certeza, além de evitar os engarrafamentos e reduzir a emissão de poluentes.

Separação do lixo:

Todas as cidades alemãs possuem coleta seletiva. Alguns apenas com os recipientes básicos: recicláveis e orgânicos. Outros têm todos os possíveis: papel, plástico, metal, madeira, orgânico, não-reciclável… O certo é separar de acordo. Caso contrário, o morador pode ser multado pelo mau uso e descarte do seu lixo.

Sacolas retornáveis:

Se for fazer compras, não esqueça a sua sacola retornável, seja ela de tecido, plástico mais resistente, ou mesmo a mochila escolar. Caso contrário, ou levará as compras na mão, ou terá que pagar por uma nova sacola retornável cerca de € 0,15. Nenhum supermercado possui mais sacolas plásticas para oferecer de graça aos clientes. Padarias, lanchonetes, delicatessens sim, por enquanto.

Retorno de garrafas:

Está caminhando, longe de casa e ficou com sede. O movimento natural é parar numa lanchonete e comprar uma garrafa de água. Até aí tudo bem. Mas, quanto você quer pagar pela garrafa? Sim, pela garrafa. Caso você compre a água e continue seu caminho, além de pagar a água que bebe, pagará por levar a garrafa. Digamos que a água de 500ml tenha custado € 0,50, pelo menos, € 0,15 representa o valor da garrafa. Contudo, se decidir beber a água na lanchonete e devolver a garrafa ao balcão, terá de volta os seus € 0,15. O mesmo acontece com os sucos, refrigerantes etc que compra no supermercado. Levando para casa, consumindo e devolvendo ao supermercado de origem, terá o “depósito” da garrafa revertido em vale-compras. Dessa forma, centraliza-se os pontos de coletas das garrafas para que sejam recicladas e não há desperdício de recipientes em demasia.

Licenciamento dos carros:

O valor do imposto pago pelo carro é diretamente proporcional ao consumo de combustível e emissão de poluentes do modelo escolhido. Quanto mais ele polui, mais imposto ele paga. Ainda, o dono do veículo precisa de um selo adesivado no parabrisa e fornecido por órgão competente que certifique que o carro emite um nível tolerável de poluentes e, por isso, ele é autorizado a andar em determinados pontos da cidade, como o centro. Caso ele não tenha o selo e esteja em local proibido, a multa é automática. Na dúvida, melhor ir de transporte público.

Esses e outros exemplos fazem com o que o consumidor pense antes de decidir realizar uma compra, seja de uma simples garrafa de água à troca do carro por um modelo mais novo. Desses questionamentos surgem comportamentos que tornam ações sustentáveis em ações cotidianas que só contribuem para a melhoria da vida das pessoas naquela região, refletindo também em outros ambientes. É um movimento cíclico e real.


Desenvolvimento Sustentável

terça-feira, 25 agosto, 2009

Muito mais do que trabalhar o tripé da sustentabilidade, atendendo aos requisitos ambientais, sociais e econômicos, desenvolver produtos sustentáveis requer mudanças de paradigmas, desmistificação de termos e conceitos.

Nem toda empresa que quer adotar essa estratégia de mercado está pensando apenas em sua imagem, como nem todo mercado está apto a receber produtos desta origem. Desenvolvimento sustentável não está ligado à benemerência das empresas e de outras entidades sociais. Está ligada a sustentabilidade do negócio, em conseguir imaginá-lo lucrativo nos próximos dez ou vinte anos dentro dos parâmetros atuais de mercado e escassez de recursos.

Estar em equilíbrio com os três fatores (ambiental, social e econômico) é saber que este equilíbrio irá perdurar e trazer resultados positivos para as instituições que o adote, seja lucro, imagem diante dos consumidores, liquidez e solidez de mercado.

Se estamos pensando no tripé é claro que podemos falar de lucro, aí está o fator econômico. E porque não falar em um lucro sustentável, onde toda cadeia produtiva envolvida ganha? Qual o tabu em admitir que empresas que assumem o desenvolvimento sustentável como premissa estão pensando em ganho de lucratividade? Sim, estão.

Contudo, este lucro não é um ato solitário, mas um ato solidário, em que comunidades locais, entidades sociais, governo, meio ambiente e outros atores envolvidos na cadeia de valor recebem em troca, cada qual a seu modo, parte desta lucratividade. Seja no pagamento de impostos, no trato com reservas florestais, no consumo de produtos locais etc.

Além do que, toda produção e consumo geram impactos positivos e negativos. A chave do desenvolvimento sustentável é fazer com que os impactos positivos superem os negativos. Daí também está a necessidade de lucrar para reinvestir em soluções e tecnologias que permitam isso.

Rever conceitos, desenvolver novos paradigmas, criar novos mercados e soluções sustentáveis é o desafio para os próximos anos.


‘Custo da poluição’ é de R$ 14 por segundo, diz estudo

quinta-feira, 21 maio, 2009

Os custos da poluição, pela primeira vez, foram mapeados fora das fronteiras de São Paulo. Estudo obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo mostra que são R$ 14 gastos por segundo (R$ 459,2 milhões anuais) para tratar sequelas respiratórias e cardiovasculares de vítimas do excesso de partícula fina – poluente da fumaça do óleo diesel. O valor é dispensado por unidades de saúde públicas e privadas de seis regiões metropolitanas do País.

A mesma pesquisa, produzida pelo Laboratório de Poluição da USP e seis universidades federais, mostra que, além dos paulistas, respiram ar reprovado pelos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) as regiões do Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Recife. “A poluição não é mais privilégio de São Paulo e os impactos são diretos na saúde cardiovascular do brasileiro”, diz Antônio Carlos Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Pelo ensaio científico, 8.169 pessoas são internadas anualmente com problemas cardíacos atribuídos à partícula fina.

As pesquisas em São Paulo incentivaram a produção em outras metrópoles. O cardiologista Evandro Mesquita, da Universidade Federal Fluminense, começou a cruzar os dados de arritmia e enfarte em dias marcados pelo excesso de poluentes. Quando o Instituto do Coração de SP (Incor) fez teste parecido no ano passado, encontrou aumento de 11% de morte por ocorrência cardíaca. No Rio, a pesquisa da USP mostra que são 1.434 pacientes do coração internados por ano.

A reportagem teve acesso ao estudo na ação civil pública que o Ministério Público de São Paulo move contra a Petrobras e 13 montadoras de veículos pedindo indenização para vítimas da poluição. Segundo o promotor do Meio Ambiente do MP, José Isamel Lutti, o valor indenizatório terá “como parâmetro” a pesquisa. Além das internações, também foram calculadas as mortes nas regiões: 11.559 pessoas com mais de 40 anos (31 vidas por dia). A Petrobrás, por meio de assessoria de imprensa, informou que não foi notificada sobre a ação, ajuizada em março deste ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/21052009/25/manchetes-custo-da-poluicao-r-14.html


Trabalhar com Responsabilidade Social

terça-feira, 12 maio, 2009

O termo Responsabilidade Social tem sido repetido em muitas rodas de negócios, empresas passam a adotar seus princípios como requisitos em contratos de serviços, entidades representativas da sociedade têm criado indicadores que medem o grau de atuação das organizações em busca do desenvolvimento sustentável.

A mudança nos padrões de consumo tem se tornado fator predominante na decisão das empresas em trabalharem de forme socialmente sustentável. Com o aumento do acesso às informações e a consequente conscientização dos consumidores, a exigência quanto a produtos de qualidade e que atendam princípios sócio-ambientais tem aumentado significativamente.

As pessoas passam a investigar a origem dos produtos, desde a retirada da matéria-prima da natureza, até a condição de descarte do produto final. Vide o movimento das ecobags, sacolas ecológicas que substituem gradativamente os sacos plásticos dos supermercados. A pressão que mais e mais consumidores fazem para que grandes empresas passem a atuar socialmente, culmina, por exemplo, na criação de fundações privadas com o objetivo de financiar projetos e iniciativas sociais, como Fundação Bradesco, Fundação Itaú, Instituto Wal-Mart, entre outras.

Além de atender mercado e comunidade, uma empresa socialmente responsável atrai investimentos, uma vez que está comprovado que empresas sustentáveis geram melhores resultados de longo prazo para acionistas, pois estão mais aptas a enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais. Em função dessa demanda realizada por investidores, a BOVESPA em conjunto com várias outras organizações criou o Índice de Sustentabilidade Empresarial, tornando-se um referencial para os investimentos socialmente responsáveis.

Há um destaque especial para a cadeia de valor que se cria ao trabalhar com o relacionamento com stakeholders. Desde que a empresa trabalhe com políticas claras de relacionamento com seus clientes, fornecedores, acionistas e funcionários, o resultado final é uma rede de parceiros sólida e confiável, que gera resultados em “efeito dominó” e cíclico. Por exemplo: funcionários satisfeitos transformarão essa satisfação em produtos de maior qualidade, assim como clientes satisfeitos com a qualidade do produto, indicarão para outros potenciais clientes que se tornarão clientes efetivos por terem encontrado funcionários capacitados para atender a demanda. E assim por diante.

Para alcançar esses resultados, basta que sejam desenvolvidas ações simples que, com o tempo, são agregados à cultura organizacional. Podem ser consideradas como o primeiro passo para projetos maiores que envolvam mais complexidade. Essas ações podem tratar da comunidade, meio ambiente, governo, local de trabalho e mercado.

Destaque especial para a diminuição de custos e aumento de lucro quando se reduz desperdícios, repassa-se ao mercado materiais que podem ser reciclados e tornam-se matéria-prima para outros produtos. O aumento da produtividade baseada na ética e na transparência das relações. Toda ação pode gerar um retorno financeiro em médio e longo prazo.

Negar que esse movimento esteja acontecendo é ficar para trás, é perder espaço no mercado. Quanto mais cedo a empresa adere a esse movimento social, mais chances de sucesso ela tem, visto que a preocupação com a sustentabilidade é também se preocupar com a continuidade do consumo, é pensar em longo prazo, é assumir que as empresas não são finitas, que não foram criadas com data de validade. Uma vez esgotados os recursos do planeta, não haverá mais o que consumir.


Água virtual

quarta-feira, 25 março, 2009

Aproveitando que dia 22 de março foi o dia escolhido anualmente para a discussão de temas sobre a água, pergunto a vocês: sabem quanto de água consumimos diariamente? Não estou falando da água usada para matar a sede, tomar banho, lavar roupas ou cozinhar, porém, da água que consumimos a partir de outros produtos: a água virtual.

Água virtual é a quantidade de água consumida para se produzir um bem ou serviço. É a água que você não vê, é aquela que foi gasta durante os processos da cadeia produtiva, da produção de matéria-prima até o consumo final.

No portal on line da revista alemã Focus (www.focus.de) foi divulgado um estudo realizado pelo holandês Arjen Hoekstra, disponibilizado no site “Water Footprint Network”, da Universidade de Twente. Esse estudo é uma representação de quantos litros de água são necessários para produzir bens, que, no caso desta reportagem, são alimentos.

Adiante, alguns dados sobre a utilização da água em alimentos que costumamos consumir diariamente. Lembrando que são considerados os gastos tanto com água na irrigação de pastos para a produção de alimentos para os animais que darão origem à carne e couro, quanto a quantidade de água gasta na irrigação na plantação de maçã, café, uva etc.

Alguns dos exemplos apresentados na reportagem:

  • Para cada quilo de queijo que se consome no café da manhã e lanches, são gastos 5.000 litros de água virtual. Pois, para cada quilo de queijo são necessários 10 litros de leite. Para a produção desse leite são consumidos 100.000 litros de água. A água é um dos alimentos das vacas leiteiras.
  • Uma maçã consome 70 litros de água virtual.
  • Um quilo de coco consome 2.500 litros.
  • A carne bovina consome 15.500 litros por quilo. Esse número é alto porque a quantidade de alimento (capim e/ou ração) que um rebanho consome não é proporcional ao seu ganho de peso. É sempre maior.
  • Para fabricar uma camisa de algodão são consumidos 2.700 litros de água.
  • O couro bovino precisa de 16.600 litros de água por quilo produzido. O volume pode ser maior ou menor, depende de qual animal o couro é extraído.
  • São utilizados, numa xícara de café, 140 litros de água. São necessários 21.000 litros para um quilo de café torrado. O chá é mais econômico, sendo necessário apenas 30 litros de água.
  • A cevada, grão utilizado na fabricação de cerveja e alguns remédios, consome 1.300 litros de água por quilo produzido. A produção mundial de cevada consome 190 bilhões de metros cúbicos de água por ano.
  • A produção de milho consome 900 litros por quilo. Países que importam milho também estão importando a água virtual.

Fez as contas? Agora vamos tentar imaginar como é possível reduzir o consumo de água nesses processos. Não possuímos todas as respostas, mas podemos evitar, por exemplo, o desperdício, reutilizar produtos, evitar outros e assim por diante.


Parcerias entre ONGs e empresas

quinta-feira, 15 janeiro, 2009

Quando a atuação das ONGs passa a ser mais efetiva no Brasil, a partir da década de 90, suprindo necessidades sociais que o Estado não era (e ainda não é, em muitos aspectos) capaz de atender, inicia-se um movimento de saída de recursos internacionais do país, tanto porque as instituições de cooperação internacional mudam seu foco para regiões menos privilegiadas, como a África, quanto porque estas instituições passam a perceber que o mercado privado e o Estado têm capacidade de assumir essa função de financiadoras.

Começa, então, a participação mais efetiva da iniciativa social privada no país, fortalecendo-se e ampliando-se cada vez mais. As empresas passam a adotar os investimentos em projetos sociais como diferencial competitivo, uma vez que, em paralelo a essas iniciativas começa-se a discutir os princípios e preceitos da responsabilidade social empresarial. Surgindo, através disso, as conhecidas parcerias entre empresas e ONGs.

Essas parcerias são estabelecidas mediante contratos de patrocínio em que a empresa cede os recursos necessários (físicos, financeiros e/ou humanos) para a execução de um determinado projeto social. Conquanto, dar-se início a uma relação de troca muito maior do que a apenas de recursos.

O método de gestão das empresas, até então, difere-se do método de gestão das ONGs. Enquanto uma está visivelmente preocupada com o retorno financeiro e de imagem que uma iniciativa vai oferecer, outra está preocupada com o impacto social que seu projeto vai gerar independente dos recursos utilizados. Então, as empresas estabelecem algumas regras para a utilização dos recursos que serão cedidos.

Regras essas estabelecidas antes mesmo do contrato de parceria. Para que uma ONG tenha acesso a recursos oriundos da iniciativa social privada, ela deve atender determinados pré-requisitos que comprovem que elas estão aptas a gerir tanto o projeto quanto os bens destinados a tal. Dar-se início à discussão sobre profissionalização do terceiro setor, adequação de métodos de gestão, avaliação e monitoramento de projetos sociais, implementação e divulgação de indicadores de resultados, entre outros. Ou seja, as ONGs passam a absorver conceitos mercadológicos, chegando a igualar sua estrutura gerencial e administrativa a de uma empresa de pequeno ou médio porte.

A influência da empresa financiadora do projeto passa a ser vista como uma relação de poder, como uma forma de dizer à ONG qual a forma correta de gerenciar seus projetos, com a conseqüência de ter seu patrocínio cortado caso não mostre a eficiência necessária. Mais uma vez, falamos de resultados gerenciais, baixos custos, boa gestão, metas atendidas, objetivos alcançados etc. Tem-se, dessa forma, uma privatização do setor social, como alguns teóricos chamam de setor 2,5 e não mais terceiro setor.

Essa influencia pode ser encarada de forma positiva desde que os requisitos impostos pelo financiador/patrocinador não batam de frente com a missão da ONG, que não a impeça de agir conforme seus valores e objetivos. Se essas exigências contribuírem para o alcance de impactos extraordinários, criação de tecnologias sociais que possam ser replicadas em outra comunidade e que, à medida que o tempo for passando, os problemas sejam sanados, é sinal de que a parceria foi um sucesso.

Cabe à ONG saber a quem recorrer, pois existem empresas que atuam na iniciativa social privada apenas por ter passado a ser uma exigência social e, cabe às empresas identificarem até onde podem exigir de uma ONG para que ela não perca sua identidade social. Há de se achar um meio termo.