Distribuição das cartilhas

quinta-feira, 29 setembro, 2011

Prezados leitores,

Desde novembro de 2009 distribuo gratuitamente uma cartilha que auxilia pessoas e grupos que queiram se regularizar e aumentar as chances de atuação no terceiro setor, essa é a Cartilha 01, Como montar uma ONG.

As Cartilhas 02, Desenvolvimento Institucional, e a cartilha 03, Elaboração de Projetos Sociais, tem valor de R$ 39 e R$ 43, respectivamente, com desconto na aquisição das duas ao mesmo tempo.

Em janeiro de 2010, mudei-me para a Alemanha, mas não interrompi a distribuição das cartilhas. Já distribuí mais de 2 mil exemplares da cartilha 01, Como montar uma ONG, e continuo fazendo com satisfação.

As Cartilhas 02 e 03, apesar de terem valor, não me dão lucro algum. Meu trabalho é mais voluntário do que baseado em interesses comerciais, uma vez que não estou mais trabalhando na área e nem estou mais no Brasil.

Porque essas cartilhas tem um custo, apesar de serem arquivos digitais (pdf)?

1. Não recebi patrocínio para escrevê-las.
2. Também não é apoiado por nenhuma editora.
3. Distribuo muito mais a cartilha 01 do que as cartilhas 02 e 03. Essas não chegam nem a 10% do número da cartilha 01.
4. Conhecimento vale mais que papel. O fato de serem arquivos eletrônicos também facilita que sejam enviadas por email, me tirando o custo e o trabalho de enviá-las pelo correio. Eu não tenho apoio de terceiros para essa distribuição.
5. O conteúdo é referente a alguns anos de trabalho e experiência, preciso valorizar o meu trabalho.
6. Elas não foram escritas de uma dia para a noite. Custaram alguns meses de pesquisa, montagem, correção e dedicação.

Gostaria que os interessados no material, adquirissem-no pela contribuição social que ele tem e pela valorização do trabalho de alguém que decidiu dividir o conhecimento com outras pessoas.

Por estar também na Alemanha, estou recomeçando uma vida e me dedicando a outras atividades (como me tornar fluente em alemão), mas, mesmo assim e apesar de alguns atrasos em responder emails, mantenho essa atividade.

Então, peço desculpas se o seu email ainda não foi respondido. Ele irá.

Também peço desculpas se esse texto pareceu ofensivo. O número de emails que recebo me parabenizando pelo trabalho é superior àqueles que o questionam. Mas, ainda assim, sinto-me incomodada quando acontece.

Além disso, acho que devo satisfações à pessoas que aguardam ansiosas pelas cartilhas.

Agradeço a compreensão e paciência de todos.

Evelyne Leandro


Ditadura x Terrorismo

quarta-feira, 22 setembro, 2010

Desde que a campanha eleitoral começou, percebo um movimento social sendo deturpado.

Aqui, cabe um parêntese: estou na Alemanha, não estou assistindo horário eleitoral e não poderei votar nessa eleição, pois não pude fazer a trasnferência do título no prazo estipulado. Não estou defendendo nenhum candidato, apenas faço algumas observações em relação a como a históira está sendo usada em função desse momento nacional.

Em 64, com o golpe militar, foi instaurada a ditadura. Recentemente, tentaram, inclusive, mudar o termo para “ditabranda”, ainda bem que não conseguiram. Posso dizer, sem muita certeza, que até o movimento do “Diretas já”, entre 83 e 84, e a aprovação da nova Constituição em 88, a ditadura estava presente no país.

Nesse período, poucos foram as pessoas que tiveram coragem e capacidade de enfrentar os militares. Na época, foram entitulados “guerrilheiros”. Muitos foram presos, mortos ou exilados. Dependia muito do “crime” ou da influência que tinham.

O que importa é que foram os únicos que se rebelaram contra uma ditadura. (O resto do povo ou não tinha consciência real do que acontecia, ou não tinha coragem de levantar a voz, ou, simplesmente, era condizente com o processo de “prisão” pelo qual o país passava.) Foram os únicos que lutaram por uma democracia, por uma país de ideias livres. Eles lutaram com as armas que tinham. Afinal, como lutar contra um exército inteiro? Seja escrevendo críticas em jornais, músicas para festivais, realizando passeatas e comícios, cometendo “crimes” etc. Era desse jeito que se podia protestar, radical ou não.

Mas as pessoas esquecem – ou nunca aprenderam, que a ditadura também cometeu muitos crimes contra a sociedade: tirando sua liberdade de expressão, prendendo inocentes, torturando, sequestrando e matando gente…

E hoje, estou assitindo a história mudar. Os únicos brasileiros corajosos, pensadores e intelectuais, que tiveram coragem de lutar por um país, estão sendo rotulados de criminosos, terroristas. Porque é conveniente não tratar a história. Porque é conveniente fazer com que uma nação não saiba reconhecer heróis e, por isso, transferem a sua energia para ídolos mau construídos do futebol e da música.

Uma nação sem consciência crítica que transforma pessoas, que ora foram “rebeldes com causa”, inconformados, questionadores, em terroristas. Que escutam uma “verdade” através da mídia que um dia foi financiada pela ditadura e tomam-na como verdade absoluta, tornando-a parte do consciente coletivo brasileiro.

Não me interessa se Dilma, Lula, FHC, Cristovão Buarque, Gabeira, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, José ou Luís. Preso ou exilado, torturado, morto ou desaparecido. O que importa é que, para a história que eles gostariam de ter escrito, eles não são terroristas.

São mais brasileiros do que eu.

“É uma pena que sejam os vencedores a escrever a história.”


Um exemplo de Responsabilidade Social Individual

quinta-feira, 12 novembro, 2009

A responsabilidade social é o compromisso que se tem em agir com ética e transparência, respeitando os atores sociais e assumindo um compromisso com o desenvolvimento sustentável.

A responsabilidade social, porém, não é um ato que deve ser exigido apenas a empresas, governos e entidades do terceiro setor. Apesar de esses atores sociais terem uma grande participação no que acontece no mundo atualmente, são as pessoas que definem o rumo que as ações tomam no dia a dia.

Quando você decide não consumir mais sacolas plásticas, deixar o carro na garagem dois dias na semana, pesquisar melhor os candidatos das próximas eleições ou doar um pouco do seu tempo para atividades voluntárias, tanto você está exercendo a sua cidadania, como atuando de forma socialmente responsável. É a sua responsabilidade social individual, a que define quem você é e o mundo que você quer ter para si e para os outros.

Um bom exemplo de responsabilidade social que apresento hoje é o projeto realizado por Sandra Santos, dona do blog Mineirinha n’Alemanha. Lá ela escreve sobre a sua vida no país que escolheu como segunda morada, vivendo na Alemanha há mais de 15 anos.

Sem julgamentos e preconceitos, ela mostra como a vida em outro país funciona, dá dicas importantes para todos que desejam conhecer um pouco mais sobre política, economia, sociedade e cultura alemã, ajuda pessoas que desejam se tornar expatriados, e, acima de tudo, atua de forma a integrar Brasil e Alemanha promovendo encontros entre esses dois países, sendo na realização de um show de um cantor brasileiro em uma cidade na Alemanha, ou a divulgação de um evento alemão no Brasil.

Dando asas a esse trabalho de integração de estrangeiros e expatriados, a Mineirinha Sandra decidiu transformar o seu blog em livro, para fazer chegar a mais mãos a informação que ela disponibilizou em mais de seis anos na Internet. Mais informações sobre o livro aqui.

Conheci a Mineirinha pesquisando por pessoas que morassem na Alemanha, simpatizei-me com a sua forma de se expressar e hoje somos “correspondentes”. Fui leitora de seu livro e sou leitora de seu blog. Posso dizer que há muito conhecimento e informação para serem absorvidos.  Ela começou a sua responsabilidade social individual atingindo milhares de brasileiros que vivem ou viverão essa experiência de morar em outro país, apoiando o seu processo de adaptação e integração.

E você, qual a sua responsabilidade social?


Eu precisava publicar…

quinta-feira, 29 outubro, 2009

afroreggae_carta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: http://marcelotas.blog.uol.com.br/


Resultado da Enquete “Quais dificuldades as ONGs menores enfrentam?”

terça-feira, 13 outubro, 2009

Após duas semanas de votação, a enquete “Quais dificuldades as ONGs menores enfrentam?” chegou ao seguinte resultado a partir de 126 votos:

Dificuldade Votos %
Em captar recursos 45 36%
Na gestão 24 19%
Em conseguir parcerias 21 17%
Na hora de elaborar projetos 21 17%
Em conseguir voluntários 10 8%
Em realizar eventos 5 4%

O que é interessante perceber é que a dificuldade em captar recursos esteja à frente de dificuldades na gestão da ONG. Pois, se há problemas na captação de recursos, isso também é um fator ligado à gestão, assim como conseguir parcerias e elaborar projetos.

Está tudo interligado. Afinal, quem não sabe o que quer ou aonde deseja chegar, não conseguirá definir como e o que captar. A realização de eventos também é uma forma de conseguir recursos e parceiros…

Um plano de captação, por exemplo, começa na definição da missão e objetivos da ONG. Os projetos elaborados para pleitear os recursos também. Será que, após essa constatação, ainda assim as ONGs menores continuam achando que o problema está na captação de recursos?

Sem querer questionar o resultado legítimo da enquete, é preciso pensar de forma sistêmica, em como a interdependência de funções e setores influencia nos resultados.

Captar recursos é a maior dificuldade por quê?

Posso arriscar algumas respostas:

  • Não há um planejamento prévio sobre as necessidades de recursos e os captados são sempre insuficientes;
  • Os projetos elaborados não atendem as exigências dos financiadores;
  • As ONGs não sabem onde encontrar os financiadores;
  • As exigências feitas pelos financiadores ultrapassam a capacidade de atendimento da ONG;
  • Faltam profissionais capacitados para a realização deste trabalho;
  • Não conhecem as ferramentas que auxiliam a Captação de Recursos, como o Planejamento Estratégico e o Plano de Captação;
  • A rede de relacionamentos da ONG é restrita;
  • Entre outros.

De forma geral, não está tudo também relacionado à gestão da ONG?

Agora, convido os leitores a refletirem sobre esses pontos, concordarem ou discordarem, e, se possível, adicionar outras informações relevantes nos comentários deste texto.

Vamos ampliar essa discussão?


O custo do comportamento consciente

quinta-feira, 24 setembro, 2009

Em alguns lugares do mundo, inclusive na Europa, os cidadãos são compelidos a agir de forma consciente quando o assunto é sustentabilidade. Mas, de onde vem essa consciência? Como entidades governamentais, sociais e empresariais estimulam que a sociedade aja em prol da sustentabilidade?

Essa educação vem, principalmente, de uma palavra: custo. Uma perda financeira serve para alertar o cidadão que ele não está agindo de forma consciente e deve repensar seus hábitos. Do custo, surge a reflexão, a pesquisa, a informação. Assim, criam-se consumidores que conhecem as origens, formas de produção, uso e descarte do bem que deseja adquirir.

Abaixo, alguns exemplos de ações adotadas por países como a Alemanha.

A educação para a ordem:

Os carrinhos de supermercado largados no meio do estacionamento atrapalhando manobras e pedestres são um pesadelo distante na Alemanha. Para usar um carrinho, deposita-se € 1,00 num dispositivo e o carrinho está livre para utilização. Para ter o dinheiro de volta, é preciso devolver o carrinho para o mesmo lugar.

Redução da poluição nos centros das cidades:

Precisa ir ao centro? Vá de transporte público. Além de funcionar com bastante pontualidade e conforto, você ainda pode ter, ao menos, quatro opções de transporte: ônibus, bonde e metrô e trem. Quer ir de carro? Pode ir. Mas, não reclame a falta de estacionamento gratuito nas ruas comerciais. Não há. Se estiver disposto a pagar € 2,00 ou mais por hora, fique à vontade. Sai muito mais caro do que pagar pelo transporte, tenha certeza, além de evitar os engarrafamentos e reduzir a emissão de poluentes.

Separação do lixo:

Todas as cidades alemãs possuem coleta seletiva. Alguns apenas com os recipientes básicos: recicláveis e orgânicos. Outros têm todos os possíveis: papel, plástico, metal, madeira, orgânico, não-reciclável… O certo é separar de acordo. Caso contrário, o morador pode ser multado pelo mau uso e descarte do seu lixo.

Sacolas retornáveis:

Se for fazer compras, não esqueça a sua sacola retornável, seja ela de tecido, plástico mais resistente, ou mesmo a mochila escolar. Caso contrário, ou levará as compras na mão, ou terá que pagar por uma nova sacola retornável cerca de € 0,15. Nenhum supermercado possui mais sacolas plásticas para oferecer de graça aos clientes. Padarias, lanchonetes, delicatessens sim, por enquanto.

Retorno de garrafas:

Está caminhando, longe de casa e ficou com sede. O movimento natural é parar numa lanchonete e comprar uma garrafa de água. Até aí tudo bem. Mas, quanto você quer pagar pela garrafa? Sim, pela garrafa. Caso você compre a água e continue seu caminho, além de pagar a água que bebe, pagará por levar a garrafa. Digamos que a água de 500ml tenha custado € 0,50, pelo menos, € 0,15 representa o valor da garrafa. Contudo, se decidir beber a água na lanchonete e devolver a garrafa ao balcão, terá de volta os seus € 0,15. O mesmo acontece com os sucos, refrigerantes etc que compra no supermercado. Levando para casa, consumindo e devolvendo ao supermercado de origem, terá o “depósito” da garrafa revertido em vale-compras. Dessa forma, centraliza-se os pontos de coletas das garrafas para que sejam recicladas e não há desperdício de recipientes em demasia.

Licenciamento dos carros:

O valor do imposto pago pelo carro é diretamente proporcional ao consumo de combustível e emissão de poluentes do modelo escolhido. Quanto mais ele polui, mais imposto ele paga. Ainda, o dono do veículo precisa de um selo adesivado no parabrisa e fornecido por órgão competente que certifique que o carro emite um nível tolerável de poluentes e, por isso, ele é autorizado a andar em determinados pontos da cidade, como o centro. Caso ele não tenha o selo e esteja em local proibido, a multa é automática. Na dúvida, melhor ir de transporte público.

Esses e outros exemplos fazem com o que o consumidor pense antes de decidir realizar uma compra, seja de uma simples garrafa de água à troca do carro por um modelo mais novo. Desses questionamentos surgem comportamentos que tornam ações sustentáveis em ações cotidianas que só contribuem para a melhoria da vida das pessoas naquela região, refletindo também em outros ambientes. É um movimento cíclico e real.


Desenvolvimento Sustentável

terça-feira, 25 agosto, 2009

Muito mais do que trabalhar o tripé da sustentabilidade, atendendo aos requisitos ambientais, sociais e econômicos, desenvolver produtos sustentáveis requer mudanças de paradigmas, desmistificação de termos e conceitos.

Nem toda empresa que quer adotar essa estratégia de mercado está pensando apenas em sua imagem, como nem todo mercado está apto a receber produtos desta origem. Desenvolvimento sustentável não está ligado à benemerência das empresas e de outras entidades sociais. Está ligada a sustentabilidade do negócio, em conseguir imaginá-lo lucrativo nos próximos dez ou vinte anos dentro dos parâmetros atuais de mercado e escassez de recursos.

Estar em equilíbrio com os três fatores (ambiental, social e econômico) é saber que este equilíbrio irá perdurar e trazer resultados positivos para as instituições que o adote, seja lucro, imagem diante dos consumidores, liquidez e solidez de mercado.

Se estamos pensando no tripé é claro que podemos falar de lucro, aí está o fator econômico. E porque não falar em um lucro sustentável, onde toda cadeia produtiva envolvida ganha? Qual o tabu em admitir que empresas que assumem o desenvolvimento sustentável como premissa estão pensando em ganho de lucratividade? Sim, estão.

Contudo, este lucro não é um ato solitário, mas um ato solidário, em que comunidades locais, entidades sociais, governo, meio ambiente e outros atores envolvidos na cadeia de valor recebem em troca, cada qual a seu modo, parte desta lucratividade. Seja no pagamento de impostos, no trato com reservas florestais, no consumo de produtos locais etc.

Além do que, toda produção e consumo geram impactos positivos e negativos. A chave do desenvolvimento sustentável é fazer com que os impactos positivos superem os negativos. Daí também está a necessidade de lucrar para reinvestir em soluções e tecnologias que permitam isso.

Rever conceitos, desenvolver novos paradigmas, criar novos mercados e soluções sustentáveis é o desafio para os próximos anos.