Algumas mudanças no Blog

quinta-feira, 19 março, 2009

Agora vocês podem contar com mais consultores disponíveis no blog para responder dúvidas e comentários. Os consultores possuirão perfis profissionais na página “Consultores Associados”.

Os consultores associados publicarão textos com assuntos referentes às suas áreas de atuação e estarão disponíveis para contatos profissionais na página “Contatos”, divididos por área. Pedimos que verifiquem a autoria do texto para que saibam a quem pedir as informações, assim, a mensagem chegará corretamente e o pedido será atendido com maior eficácia.

Tudo isso para podermos atender todas as demandas que chegam até o blog da melhor forma possível.

No momento, dispomos de consultores na área de Comunicação Social, Assessoria Jurídica para o Terceiro Setor e Consultoria em Administração e Capacitação Profissional. Além de mim, Evelyne Leandro, com as áreas Terceiro Setor e Responsabilidade Social Empresarial.

Aos poucos, iremos aperfeiçoando nossas ferramentas de contato e estabelecendo mais e mais parcerias para ampliação de discussões sobre o Terceiro Setor e Responsabilidade Social, temas principais desse blog, além de contatos profissionais.

Esperamos que aprovem as mudanças.

Evelyne Leandro e Consultores Associados

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Quanto se quer investir para vencer

terça-feira, 25 março, 2008

As ONG’s são associações sem fins lucrativos. Fato um. Precisam de recursos (humanos, materiais e financeiros) para fazer com que seus projetos aconteçam. Fato dois. Para conseguir esses recursos precisam de um mínimo de profissionalização para geri-los. Fato três. Sem essa profissionalização os recursos não vêm. Fato quatro.

Mas, se são sem fins lucrativos como conseguir se profissionalizar? Qual a relação entre uma coisa e outra?

Profissionalização, capacitação, treinamento custam dinheiro. Do outro lado sempre há um prestador de serviço, uma escola, uma instituição de treinamento que também precisa sobreviver, que tem o negócio voltado para a realização de objetivos de terceiros.

Há uma cadeia envolvida em todo o processo de maturação de uma instituição. Se na ONG não há quem saiba fazer algo, é necessário captar um voluntário ou profissional que seja capaz. Porém, o voluntário não é garantia de continuidade, tão pouco de dedicação integral, uma vez que ele tem outras atividades e o profissional… Bem. O profissional custa. Quanto a ONG está disposta a investir para alcançar os resultados desejados? Desenvolver aquele projeto que não sai da primeira página? Montar aquele Planejamento Estratégico que o parceiro tanto cobra?

Quanto?

Não há serviço gratuito. O voluntário faz porque recebe algo em troca. Pode não ser algo perceptível, algo tangível, mas é a satisfação pessoal de estar prestando um serviço social, é o contato e a amizade que se faz com as pessoas na ONG. Assim, como os consultores e prestadores de serviços também não fazem de graça. E, nesse caso, ainda há uma diferença, pois eles trabalham com o que eles têm de melhor: o conhecimento e a experiência adquirida no decorrer de anos de trabalho e capacitação, muitas vezes investidos do próprio bolso. Quanto vale esse conhecimento? Além do mais, do que consultores e prestadores de serviços vivem, senão do seu conhecimento?

Quanto um serviço profissional pode trazer de resultado para sua organização? Quanto a organização ganha com isso? Lembre-se do fato número quatro.

 

 

Texto complementar: O conselheiro come, de João Ubaldo Ribeiro.

 

 


Captador de Recursos: quem é e o que faz

sexta-feira, 15 fevereiro, 2008

O captador de recursos, em síntese, é o responsável pela mobilização de recursos financeiros ou materiais para a manutenção de uma instituição ou de projetos específicos.

Muitas pessoas visualizam essa função como uma profissão promissora e apostam no terceiro setor para isso. Muitas ONGs acreditam que só um captador é capaz de salvá-la e apostam nos captadores para isso. Há algo de errado nessas duas afirmações.

Na primeira, as pessoas não deveriam enxergar na profissão de Captador de Recursos mais uma forma de ganhar dinheiro ou explorar o mercado. Principalmente, por dois motivos: deveria ser ilícito (e será) ganhar dinheiro/comissão sobre doações e financiamentos para projetos sociais; e, os interessados na função devem ter algum engajamento com o terceiro setor, qualquer coisa diferente disso e elas não conseguem “vender o peixe”.

Na segunda, as ONGs não podem creditar o seu sucesso ou insucesso na figura de uma única pessoa. Muitas vezes, os problemas começam na definição da missão da organização e não na incapacidade de gerar recursos através da captação. É preciso pensar estrategicamente, gerindo a instituição de forma responsável e organizada, para que ela possa ter a estrutura necessária para abraçar projetos financiados. Pois, quanto mais dinheiro um financiador disponibiliza, mais exigências ele faz.

Especialmente, o captador de recursos deve ser um membro da organização. Deve ser alguém que conheça a missão, os objetivos, os projetos e atividades da ONG. Assim, ele pode responder a todas as questões feitas pelo financiador, mostrar comprometimento e razão para estar ali.

Muitas consultorias oferecem serviço de captação de recursos. Acredito que sejam válidas quando a ONG nunca trabalhou com isso, ainda está tentando se organizar e podem contratar o serviço. Nesses casos, o “captador” possui muito mais um papel de consultor. Ele deve auxiliar a ONG na construção do seu plano de captação, orientar no desenvolvimento e/ou desenvolver o projeto, auxiliar no processo de apresentação e negociação da proposta de financiamento, mas, nunca ser o único a participar do processo do início ao fim. Dessa maneira, a ONG estará apta a caminhar sozinha na ausência do consultor, deixando de depender dos serviços de terceiros.

O captador de recursos deve ser visto como uma pessoa estratégica para a ONG, precisa estar inserido nos processos de decisão, seleção e confecção dos projetos, participando de reuniões e eventos e tendo liberdade para tomar determinadas decisões. Isso porque será ele o responsável por mostrar a ONG a outras instituições.


A necessidade de mais profissionalização no Terceiro Setor

segunda-feira, 21 janeiro, 2008

Como escrevi no texto O processo de captação de recursos, a maioria dos recursos destinados a execução de projetos sociais está sendo proveniente do setor privado. E isso vem definindo a nova forma de trabalhar de muitas organizações.

Organizações têm contratado profissionais do mercado para ocupar funções estratégicas (captação de recursos, comunicação, gestão de projetos etc), no intuito de facilitar esse diálogo com o setor privado. É interessante observar esse movimento, pois indica que, com essa profissionalização, o terceiro setor tem muito a ganhar, já que envolve o desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade e crescimento. O risco é a organização esquecer dos seus propósitos sociais em função da perseguição de metas de sucesso que não se encaixam no perfil do terceiro setor.

Ou seja, para acompanhar a evolução no terceiro setor, ainda falta a presença de profissionais capacitados que consigam “ler” as regras do setor social e consiga uni-las, sem detrimento deste, às regras do setor privado.

O que fazer, então? Há três possibilidades: ou se contrata um profissional do setor privado com a experiência que a instituição precisa e capacita-o para que ele tenha o engajamento social necessário, conhecendo a missão e os objetivos da organização que ele vai representar. Ou capacita um profissional da própria organização que tenha o perfil adequado, para que ele adquira as competências e habilidades necessárias para a execução da nova função.

Na ausência de um ou de outro profissional, a contratação de consultorias também tem sido uma alternativa para muitas ONG’s. O consultor se responsabiliza, dentre outras coisas, por transferir seu conhecimento técnico dentro de um programa de trabalho que pode envolver desde a confecção de um planejamento estratégico, o plano de captação, até o desenvolvimento de projetos específicos. A ONG, portanto, deve aproveitar a oportunidade para aprender, junto com o consultor, aquele conhecimento que ela não tem.

Independente do profissional contratado, a profissionalização do terceiro setor é um marco para as ONG’s, pois garantirá a elas, pelo respaldo conquistado não somente pela nobreza das boas intenções mas pela validade técnica na condução dos seus trabalhos, o respeito e a valorização por parte dos outros setores, que enxergarão organizações interessadas em melhorar processos, ampliar serviços, trabalhar com qualidade e confiabilidade, sendo mais uma porta de entrada para o apoio desses setores no desenvolvimento de projetos sociais.