Manifestações contra os efeitos da crise

terça-feira, 31 março, 2009

Desde o dia 28 de março que cidadãos, entidades sociais e sindicatos europeus organizam manifestações contra os efeitos da crise financeira no mundo. Com slogans como “Não vamos pagar a vossa crise”, “Put people first” (Coloquem as pessoas em primeiro lugar, em tradução livre), os manifestantes esperam chamar a atenção dos líderes no encontro do G-20 que ocorrerá em Londres no dia 02 de abril, mantendo as manifestações por todo o período.

Em cidades como Londres, Lisboa, Paris e Berlin, as pessoas foram às ruas pacificamente mostrar sua força enquanto maiores prejudicados com a crise, reivindicando soluções mais humanas e de respeito à natureza, indo de encontro às soluções antissociais que os países estão tomando para resolver a crise.

“O G20 e os governos já mostraram que só estão interessados em salvar o sistema, manter os privilégios de uma minoria e socializar os prejuízos gerados pela crie. Face a isso, é preciso uma grande mudança no sistema e exigimos a aplicação imediata das seguintes medidas: abolição dos paraísos fiscais, novas taxas, particularmente sobre transacções financeiras, limitação de salários milionários e a construção de um sistema bancário e financeiro público”, diz Aurélie Trouvé, presidente da ATTAC França.

São essas e outras mudanças que as manifestações populares programadas e realizadas na Europa cobram dos lideres mundiais. Não discordo das palavras ditas pelo presidente Lula quando ele afirmou recentemente “que a crise foi provocada por brancos de olhos azuis”, por uma minoria rica e privilegiada pelo sistema capitalista e que, apesar da crise, continua sendo favorecida pelos governos para salvar um sistema financeiro que não produz e demitindo milhares e milhares de pessoas em todo o mundo, sendo esses últimos os que, realmente, pagam a conta. Contudo, esses mesmos brancos de olhos azuis, não ricos e vítimas das demissões em massa que estão ocorrendo, principalmente na Europa e nos EUA, estão se organizando socialmente para exigir mudanças no sistema – ou mesmo, um novo sistema – para que ele passe a favorecer também aos pobres, trabalhadores e àqueles que não recebem comissões milionárias de grandes empresas.

Esse ponto de vista, a mídia brasileira não divulga. Acessar os principais portais de notícias na categoria “Mundo” ou “Economia” hoje para pegar referências é ler manchetes como “Ministra britânica se arrepende de usar dinheiro público para pagar pornô” e nenhuma referência a essas ações sociais que reivindicam os direitos de trabalhadores do mundo inteiro.

Curioso é saber que o movimento foi discutido no Fórum Social Mundial, ocorrido em Belém/PA em janeiro deste ano, resultando num dia de ação global em resposta a crise financeira e suas consequências para o povo. E esse dia foi o dia 28 de março de 2009. Todavia, eu estava preocupada em apagar as luzes das 20h30 às 21h30 num gesto simbólico contra o aquecimento global que ninguém viu e esqueci-me de sair às ruas para pedir atenção a uma maioria que, diante da crise que avança, é uma minoria desprovida de voz e direitos.

É uma pena que não consigamos nos unir, como lá, para exigir as mudanças necessárias. Porque esse modelo financeiro-capitalista, que agride brancos, negros, vermelhos, amarelos, mestiços, todos não ricos, e a natureza com sua poluição e destruição em massa já morreu e, aposto que, o único ser que a história conhece capaz de ressuscitar mortos não estaria ao lado de quem provocou a crise.

Não podemos pagar essa conta.

Mais detalhes: BBC Brasil

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Água virtual

quarta-feira, 25 março, 2009

Aproveitando que dia 22 de março foi o dia escolhido anualmente para a discussão de temas sobre a água, pergunto a vocês: sabem quanto de água consumimos diariamente? Não estou falando da água usada para matar a sede, tomar banho, lavar roupas ou cozinhar, porém, da água que consumimos a partir de outros produtos: a água virtual.

Água virtual é a quantidade de água consumida para se produzir um bem ou serviço. É a água que você não vê, é aquela que foi gasta durante os processos da cadeia produtiva, da produção de matéria-prima até o consumo final.

No portal on line da revista alemã Focus (www.focus.de) foi divulgado um estudo realizado pelo holandês Arjen Hoekstra, disponibilizado no site “Water Footprint Network”, da Universidade de Twente. Esse estudo é uma representação de quantos litros de água são necessários para produzir bens, que, no caso desta reportagem, são alimentos.

Adiante, alguns dados sobre a utilização da água em alimentos que costumamos consumir diariamente. Lembrando que são considerados os gastos tanto com água na irrigação de pastos para a produção de alimentos para os animais que darão origem à carne e couro, quanto a quantidade de água gasta na irrigação na plantação de maçã, café, uva etc.

Alguns dos exemplos apresentados na reportagem:

  • Para cada quilo de queijo que se consome no café da manhã e lanches, são gastos 5.000 litros de água virtual. Pois, para cada quilo de queijo são necessários 10 litros de leite. Para a produção desse leite são consumidos 100.000 litros de água. A água é um dos alimentos das vacas leiteiras.
  • Uma maçã consome 70 litros de água virtual.
  • Um quilo de coco consome 2.500 litros.
  • A carne bovina consome 15.500 litros por quilo. Esse número é alto porque a quantidade de alimento (capim e/ou ração) que um rebanho consome não é proporcional ao seu ganho de peso. É sempre maior.
  • Para fabricar uma camisa de algodão são consumidos 2.700 litros de água.
  • O couro bovino precisa de 16.600 litros de água por quilo produzido. O volume pode ser maior ou menor, depende de qual animal o couro é extraído.
  • São utilizados, numa xícara de café, 140 litros de água. São necessários 21.000 litros para um quilo de café torrado. O chá é mais econômico, sendo necessário apenas 30 litros de água.
  • A cevada, grão utilizado na fabricação de cerveja e alguns remédios, consome 1.300 litros de água por quilo produzido. A produção mundial de cevada consome 190 bilhões de metros cúbicos de água por ano.
  • A produção de milho consome 900 litros por quilo. Países que importam milho também estão importando a água virtual.

Fez as contas? Agora vamos tentar imaginar como é possível reduzir o consumo de água nesses processos. Não possuímos todas as respostas, mas podemos evitar, por exemplo, o desperdício, reutilizar produtos, evitar outros e assim por diante.


Algumas mudanças no Blog

quinta-feira, 19 março, 2009

Agora vocês podem contar com mais consultores disponíveis no blog para responder dúvidas e comentários. Os consultores possuirão perfis profissionais na página “Consultores Associados”.

Os consultores associados publicarão textos com assuntos referentes às suas áreas de atuação e estarão disponíveis para contatos profissionais na página “Contatos”, divididos por área. Pedimos que verifiquem a autoria do texto para que saibam a quem pedir as informações, assim, a mensagem chegará corretamente e o pedido será atendido com maior eficácia.

Tudo isso para podermos atender todas as demandas que chegam até o blog da melhor forma possível.

No momento, dispomos de consultores na área de Comunicação Social, Assessoria Jurídica para o Terceiro Setor e Consultoria em Administração e Capacitação Profissional. Além de mim, Evelyne Leandro, com as áreas Terceiro Setor e Responsabilidade Social Empresarial.

Aos poucos, iremos aperfeiçoando nossas ferramentas de contato e estabelecendo mais e mais parcerias para ampliação de discussões sobre o Terceiro Setor e Responsabilidade Social, temas principais desse blog, além de contatos profissionais.

Esperamos que aprovem as mudanças.

Evelyne Leandro e Consultores Associados


Avaliação e monitoramento de projetos

terça-feira, 3 março, 2009

Muitas ONG’s dedicam-se a investigar e acompanhar o que empresas e governos realizam de positivo e negativo para a sociedade. Elas estão atentas às agressões ao meio ambiente e às minorias, prontas para defendê-los, recuperá-los e, no caso das minorias, fortalecê-las.

Para isso, cobram de governos e empresas um quesito essencial para proporcionar o diálogo e as soluções conjuntas: a transparência. Cada vez mais as instituições-alvo das ONGs estão mais vulneráveis às informações disponibilizadas na sociedade. Essa transparência pode ser sentida nas publicações de relatórios anuais (os conhecidos balanços sociais), nos convênios firmados, nas contas públicas expostas e em tantas outras ocasiões.

Por serem as ONGs grandes vigias da sociedade, elas também se tornam alvo de empresas, governos e comunidade em busca da transparência nos seus projetos e nos recursos utilizados de terceiros. Daí vem a importância em avaliar e monitorar constantemente os seus projetos sociais. Sendo esta a tarefa que a ONG tem em levantar as informações necessárias para divulgar os resultados obtidos.

Há que se monitorar para depois avaliar. O monitoramento consiste, basicamente, em acompanhar o andamento do projeto no dia-a-dia, verificar se o plano de ação está sendo cumprido e se as metas estão sendo alcançadas. O monitoramento possibilita a identificação de problemas e possibilita solução.

A avaliação, por sua vez, destina-se a verificação dos indicadores quantitativos e qualitativos definidos para o projeto em questão, onde são postos à prova os mecanismos de gestão adotados pela entidade. A avaliação permite identificar pontos críticos e proporciona a resolução desses antes que comprometam o resultado final do projeto. Geralmente, também são avaliados as contas e gastos da ONG dentro do orçamento definido.

O monitoramento e a avaliação passam a ser requisitos essenciais para o financiamento de projetos sociais, pois, as empresas querem saber como o seu recurso foi investido e quais os impactos que esse financiamento causou ou causará ao público-alvo.

Consultores e profissionais da área, bem como os gestores de empresas responsáveis pela liberação de recursos afirmam que a avaliação e monitoramento de projetos devem ser feitos por terceiros, para garantir a exatidão dos dados e a integridade das informações, uma vez que, não se identifica ou registra vícios.

A publicação dos resultados dos projetos sociais também proporciona um trabalho positivo de imagem, onde a organização demonstra a seus parceiros que sabem gerir recursos e projetos, trabalhando com confiabilidade e conquistando ainda novos parceiros.