Empresas e seus funcionários voluntários

quinta-feira, 28 agosto, 2008

Certa vez, ouvi de um colega do curso de pós-graduação que o chefe dele não sabia que ele tinha aula às sextas à tarde (uma vez por mês), pois, a empresa não liberava. Como ele trabalha mais visitando clientes que no escritório, ele podia estar presente na aula enquanto telefonava para os clientes e, ao mesmo tempo, atendia ao chefe.

Ele completou meu espanto dizendo: “as empresas querem que você se capacite, mas não liberam horas do seu dia de trabalho para que isso seja realizado.” Algumas empresas pagam cursos de extensão e especialização para seus funcionários, mas querem que eles façam isso em suas horas vagas. Se houver um curso que ocorra durante o expediente, muitas vezes, os funcionários são impedidos de fazer. É paradoxal. Mas, é fato.

O mesmo ocorre com empresas que “vendem” o fato de que estimulam seus funcionários a participarem de programas de voluntariado. Muitas delas, desde que seja fora do horário de trabalho, nos finais de semana, por exemplo. A pergunta que faço é: nesse caso, o funcionário está fazendo por ele ou pela empresa? Uma vez que ele está dedicando um tempo dele para o trabalho voluntário, porque é a empresa que está se beneficiando dessa publicidade?

Se a empresa deseja ter um programa de voluntariado, por que não adotar uma creche, uma escola ou um asilo, permitindo que seus funcionários doem duas horas de trabalho semanais para isso? Essa, sim, é uma ação da empresa. Quanto vale duas horas de trabalho semanais de cada funcionário? Muito menos do que o impacto que essa ação causará na empresa.

O resultado é outro. O funcionário faz por ele e pela empresa. A empresa é representada por seus funcionários (muitas vezes fardados) dentro da organização. E a gratidão, de ambos os lados, também é bem maior. Todos sabem que trabalho voluntário edifica e engrandece.

Então, empresário, adote essa idéia.

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Para atingir sustentabilidade, 3º setor pode precisar assimilar práticas empresariais

sábado, 16 agosto, 2008
Por Stefano Azevedo, do Aprendiz

“A arrecadação não é a métrica final para o terceiro setor, mas é o meio para atingir a ampliação da atuação social. Por isso, as instituições não devem depender unicamente de doações e patrocínios, mas sim buscar maneiras de gerar os próprios recursos”.

A afirmação é do diretor-geral do Instituto Empreender Endeavor, Paulo Veras. Ele participou do debate Medindo Impactos, que ocorreu na 2ª Conferência Internacional Inovação para o Terceiro Setor: Sustentabilidade e Impacto Social, realizada entre os dias 6 e 8 de agosto, na cidade de São Paulo (SP).

Para o representante da Fundação Avina, Valdemar Neto, também presente no debate, não é clara a diferença entre a busca pela sustentabilidade e a entrada em uma lógica empresarial. “Existe uma zona cinzenta entre o mundo empresarial e o terceiro setor, em que nem sempre podemos determinar qual é a área de atuação reservada para cada um”, disse.

Embora identifique esses espaços de contato, Neto colocou que cada setor tem seu próprio espaço de ação, situação que não foi resolvida pelas organizações não–governamentais. “Há limites entre empreender socialmente e empreender na área de negócios”, disse.

O representante da Avina citou a avaliação de resultados como parte integrante dessa zona cinzenta. “Medir o desempenho de sua atuação é uma prática generalizada no setor privado, no entanto ainda é um desafio para o terceiro setor”, disse.

Para Veras, é preciso conhecer os resultados da atuação social, mesmo que tal tarefa seja dispendiosa e as organizações do terceiro setor resistam em dedicar tempo e pessoas a isso. “Além de tudo, é necessário estabelecer métricas adequadas para cada situação, não há uma regra geral, aumentando o trabalho. Mas é imprescindível medir a transformação social, pois não é suficiente agir sem verificar os resultados na sociedade”, ressaltou.

Crédito da imagem: Gláucia Cavalcante

Fonte: http://www.envolverde.ig.com.br/?materia=50664#