Mobilização Social

quarta-feira, 25 junho, 2008

A questão abordada nesse texto não é a captação de recursos, mas, sim, a mobilização de recursos, que envolve estratégias de como convidar a comunidade ao redor da sua ONG a fazer parte da mesma causa.

Mobilização Social é o envolvimento não de um ou dois indivíduos, mas da sociedade em geral em prol de um objetivo. É a participação conjunta da comunidade, empresas, governos e organizações sociais para a erradicação de um problema social: a fome, a pobreza, a violência urbana ou doméstica, o descaso com o meio ambiente, o desperdício de energia etc.

Abrir as portas de uma ONG não é, simplesmente e literalmente, abri-las. É necessária a criação de programas que façam com que a sociedade passe a se interessar por ela, passe a valorizá-la como agente de mudanças e deseje fazer parte disso.

Como fazer isso? A primeira fase parte do princípio da conscientização. Conscientizar a comunidade de que aquela atividade desenvolvida pela organização, de alguma forma, contribui para a melhoria do ambiente, das pessoas, da qualidade de vida. Mostrar que ações conjuntas, então, provocam maiores resultados ainda.

Mobilizar pessoas para uma passeata, um protesto ou um evento é fácil. Difícil é fazer com que mudem de hábitos. Um exemplo claro é a campanha contra a dengue. As propagandas veiculadas pedem que as pessoas não acumulem água parada em recipientes para não proliferar a larva do inseto. Qual a eficácia dessa campanha? Recentemente, foi divulgado que os focos de dengue só diminuem drasticamente quando esses vídeos são mostrados ao público. Ou seja, o processo de mobilização para uma causa de longo prazo é constante.

Se sua ONG trabalha com a preservação do meio ambiente, através da recuperação de nascentes, por exemplo, ela não deve só mostrar que o fato de jogar lixo na nascente prejudica a saúde do rio, mas também mostrar alternativas. O que fazer com o lixo que não posso jogar naquela nascente? Porque não posso jogar? Se eu não jogo, porque o meu vizinho joga? Todas as pontas devem estar amarradas para que a conscientização aconteça com êxito.

Depois disso, é promover ações que possibilitem que aquilo que foi apreendido pela sociedade seja posto em prática. De que adianta fazer uma campanha de reciclagem de papel se não há uma cooperativa de reciclagem na comunidade? Lembre-se das pontas.

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Gestão de Voluntários

terça-feira, 17 junho, 2008

No Terceiro Setor, o maior patrimônio que se possui são os recursos humanos, o capital intelectual das organizações. Por serem tão importantes, é necessária a utilização de técnicas de gerenciamento de pessoas, não só para administrar esses recursos, mas para mostrar que são importantes, valorizados e reconhecidos.

Isso, principalmente, quando falamos de Voluntários. Qual o vínculo que um voluntário tem com uma instituição senão o emocional e a identificação com a causa da ONG? O que a ONG pode oferecer para transformar esse voluntário em um braço da organização? Nesse texto, darei algumas dicas de como “fidelizar” voluntários.

A primeira atitude que a organização deve tomar é deixar de ver o voluntário apenas como uma ferramenta de trabalho, como mais um colaborador. O voluntário chega à instituição com uma bagagem de conhecimento e prática que muitas vezes não são aproveitados, pois já existe uma função e um papel pré-definido no lugar para que ele possa executar.

Depois, é preciso verificar o que fez o voluntário buscar essa ONG. Quais os fatores chaves que o estimularam a prestar serviços voluntários. E, o que a ONG pode oferecer para atender as suas expectativas. Deve haver congruência de objetivos e motivos. A pessoa se torna voluntária porque quer e não porque a organização pediu. Quando acontece dessa forma, a garantia de durabilidade dessa relação é muito maior.

Então, a palavra em questão é Motivação. O que motivou a pessoa a se voluntariar muitas vezes foi o desejo de utilizar aquele conhecimento e experiência que adquiriu na vida de forma a ajudar outras pessoas. Por isso, a melhor forma de aproveitar isso é estimular que o voluntário faça o que ele quer fazer e não o que a organização gostaria que ele fizesse.

A satisfação em desempenhar algo que sabe e gosta de forma gratuita num lugar em que se identifica e ter isso reconhecido é o principal elo de fidelização desse voluntário.


Projetos de Responsabilidade Social

segunda-feira, 9 junho, 2008

Observando o movimento de responsabilidade social do país é louvável perceber e destacar o quanto a iniciativa privada tem influenciado esse movimento. As empresas estão cada vez mais engajadas de alguma forma em tornar o desenvolvimento sustentável uma prática comum a todos: consumidores, fornecedores, empresas, governo…

Dessa forma, muitos são os editais lançados por empresas de diversos ramos de atividade para financiar projetos sociais, desde os de cunho ambiental, quanto os de geração de emprego e renda, educação e saúde. Ficar atento a esses editais é um dever das ONG’s que desejam obter financiamentos para seus projetos, sendo esta uma das formas de captação de recursos.

Mais um mito que cai. Não há necessidade de esperar iniciativas públicas ou pensar que o terceiro setor está sozinho. A mobilização empresarial do Brasil em busca de um mundo sustentável surpreende, inclusive, entidades internacionais que têm investido no fortalecimento das redes de responsabilidade sócio-ambiental existentes, capacitando-as e instrumentalizando-as para colocar suas iniciativas em prática. É o exemplo da recente concorrência realizada pela InWEnt, organização alemã, encerrada esse mês, que tinha o objetivo de selecionar parceiros para a capacitação de líderes nos princípios de RSE para posterior multiplicação.

O mercado tem respondido bem a essas ações positivas, agindo de forma consciente e aprendendo a escolher melhor os seus bens de consumo. Motivo pelo qual as empresas que vendem produtos sustentáveis estão crescendo e novas estão surgindo, como se pode verificar no Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis, desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, com o apoio do Banco Real ABN AMRO. Nesse catálogo é possível identificar produtos que atendem aos critérios de sustentabilidade de cada região do país.

Dessa forma, a competitividade sustentável criada através da conscientização e do investimento em iniciativas privadas tem proporcionado discussões e claras alterações no mercado brasileiro. É um caminho longo a ser percorrido, mas a resposta aos passos dados está sendo bem positiva.