Captador de Recursos: quem é e o que faz

O captador de recursos, em síntese, é o responsável pela mobilização de recursos financeiros ou materiais para a manutenção de uma instituição ou de projetos específicos.

Muitas pessoas visualizam essa função como uma profissão promissora e apostam no terceiro setor para isso. Muitas ONGs acreditam que só um captador é capaz de salvá-la e apostam nos captadores para isso. Há algo de errado nessas duas afirmações.

Na primeira, as pessoas não deveriam enxergar na profissão de Captador de Recursos mais uma forma de ganhar dinheiro ou explorar o mercado. Principalmente, por dois motivos: deveria ser ilícito (e será) ganhar dinheiro/comissão sobre doações e financiamentos para projetos sociais; e, os interessados na função devem ter algum engajamento com o terceiro setor, qualquer coisa diferente disso e elas não conseguem “vender o peixe”.

Na segunda, as ONGs não podem creditar o seu sucesso ou insucesso na figura de uma única pessoa. Muitas vezes, os problemas começam na definição da missão da organização e não na incapacidade de gerar recursos através da captação. É preciso pensar estrategicamente, gerindo a instituição de forma responsável e organizada, para que ela possa ter a estrutura necessária para abraçar projetos financiados. Pois, quanto mais dinheiro um financiador disponibiliza, mais exigências ele faz.

Especialmente, o captador de recursos deve ser um membro da organização. Deve ser alguém que conheça a missão, os objetivos, os projetos e atividades da ONG. Assim, ele pode responder a todas as questões feitas pelo financiador, mostrar comprometimento e razão para estar ali.

Muitas consultorias oferecem serviço de captação de recursos. Acredito que sejam válidas quando a ONG nunca trabalhou com isso, ainda está tentando se organizar e podem contratar o serviço. Nesses casos, o “captador” possui muito mais um papel de consultor. Ele deve auxiliar a ONG na construção do seu plano de captação, orientar no desenvolvimento e/ou desenvolver o projeto, auxiliar no processo de apresentação e negociação da proposta de financiamento, mas, nunca ser o único a participar do processo do início ao fim. Dessa maneira, a ONG estará apta a caminhar sozinha na ausência do consultor, deixando de depender dos serviços de terceiros.

O captador de recursos deve ser visto como uma pessoa estratégica para a ONG, precisa estar inserido nos processos de decisão, seleção e confecção dos projetos, participando de reuniões e eventos e tendo liberdade para tomar determinadas decisões. Isso porque será ele o responsável por mostrar a ONG a outras instituições.

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22 Responses to Captador de Recursos: quem é e o que faz

  1. Lou Mello disse:

    “Especialmente, o captador de recursos deve ser um membro da organização. Deve ser alguém que conheça a missão, os objetivos, os projetos e atividades da ONG”
    Compactuo com suas afirmações. Claro que há muito mais nesse universo e você sabe disso, mas seu texto está corretíssimo, a meu ver. Parabéns!

    R: Sim, há muito mais. Isso é que é bom nessa área: há um mundo pela frente. 😉
    Obrigada!

  2. Yuri Abyaza disse:

    Achei a explanação elucidativa. Porém penso que se poderia ter pronto um protocolo técnico explicativo de como se procede com a formulação da captação. Contar de uma vez qual o segredo. Mas digo que profissional como vc é uma necessidade. Espero poder contar com sua técnica na ONG na qual trabalho. Obrigado

    R: Muito pertinente o seu comentário. Obrigada!
    Posso te dizer que não há segredo. O que há é método, perfil adequado e alguma experiência. Também é necessário saber “falar a língua” do financiador.
    Se desejar, podemos trocar mais informações sobre isso.
    Gostaria muito de conhecer a sua ONG e auxiliá-la no que for possível.

  3. Gostaria muito que conversar com voces pessoalmente, visite nosso site.
    Abraços,
    Luiz sergio pacheco santos
    Presidente da Ong Amazonas Visão
    http://www.amazonasvisao.org.br
    62-99807165

    R: Foi enviado um e-mail para o endereço fornecido. Receberam?

  4. Muito interessante e relevante seu texto, e acho importante contribuir lembrando que existe um código de ética para captadores de recursos, disponível no site da Associação Brasileira de Captadores de Recursos, http://www.captadores.org/ .
    Abs

    Claudia Candido
    Centro de Referência Patricia Bildner (CRPB)
    GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas

    R: Obrigada!
    Obrigada também pela contribuição. Precisamos divulgar esse código!

  5. Juliana Brito disse:

    fiquei interessada em investir num curso de captação de recursos,sou Presidente de uma ONG que fica no interior de pernambuco,na cidade de catende teria algum curso desse tipo em recife-PE ou caruaru-PE, TUDO QUE INVESTIMOS AINDA SAI DE NOSSOS BOLSOS!!! DESEJO AGIR E CRESCER EM ASSISTENCIALISMO.

    R: É esse o caminho: capacitação e profissionalização.
    Infelizmente, não tenho conhecimento de cursos dessa natureza em Pernambuco. Se souber, te comunico.
    Mas, acredito que meus textos podem ajudar. Ou, se preferir, podemos ir trocando algumas informações.

  6. Virna Muñoz disse:

    Prezada Evelyne,

    Ao ler seu texto me deparei com uma visão que vai totalmente contra o que é o 3º setor na atualidade. Isso ocorreu no trecho em que você condena o “comissionamento” do captador. Temos que acabar com a idéia de que quem atua no 3º setor é missionário, que não tem contas para pagar e que seu tempo, dedicação e preparo não valem dinheiro. O 3º setor vem com o compromisso de profissionalizar as pessoas que nele atuam para que estas deixem de ser amadoras e aventureiras. Projeto e ação social é trabalho muito sério pois envolve além de pessoas, cifras expressivas, marcas e parceiros a preservar, o que exige pessoas preparadas e comprometidas na elaboração e na realização dos mesmos. Por conta disso é que se garante por lei a participação na captação, pois esse profissional que captou o recurso faz parte da organização, fez cursos, conheceu a lei, estudou o projeto, se preparou e tem condições de assessorar o parceiro legalmente. Isso na Europa é uma prática comum e muito bem vista pois evita a “pilantropia” que existe no Brasil, por ter essa visão de que é errado ter renda por atuar no social.
    Concordo com todos os demais pontos abordados.

    Estou a disposição e parabéns pelo trabalho
    Abraço

    R: Obrigada por suas palavras.
    Você foi a primeira a responder a altura à minha provocação.
    Eu discordo do comissionamento a partir do momento que observo pessoas despreparadas se proclamando “Captadores de Recursos”, em função das oportunidades que as grandes cifras dos projetos criam. Por isso, iniciei falando dessas pessoas.
    Reconheço o valor do trabalho dos profissionais do terceiro setor, inclusive, tenho um texto abordando esse tema aguardando ser publicado.
    Acredito que, dentro do trabalho de captação de recursos, o que mais vale é a rede de relacionamentos e a experiência acumulada ao longo de anos de atividades. Isso ninguém precifica. Nesse caso e somente quando eu percebo por parte do Captador seu empenho social e profissional e não meramente “oportunista” é que valorizo o comissionamento. Pois, também sabemos quão carente é o terceiro setor e quão suscetíveis a falsas promessas ele está.
    Sobre o movimento na Europa, recentemente, houve um caso na Alemanha, referente a UNICEF, em que foi descoberto o comissionamento de pessoas ligadas a captação de recursos, não só sobre doações de empresas, como também de pessoas físicas. Quando isso veio à público, a diretora da UNICEF no país foi demitida e as doações reduziram-se à metade. Vou procurar a reportagem e te envio por e-mail.

    Não trabalho com Captação. Meu objetivo é auxiliar as ONGs no desenvolvimento dos seus projetos, desde a concepção até a execução. Pois, não adianta ter o recurso quando não se sabe utilizá-lo. Infelizmente, algumas ONGs ainda acreditam que a salvação está na captação e não na gestão. Luto para que vejam diferente. O terceiro setor, atualmente, não pode mais viver no amadorismo. E nisso, sei que concorda.

    Acho que encontrei alguém com quem compartilhar idéias.

    Mais uma vez, obrigada!

  7. cristina disse:

    Preciso de algum interressado em captar recursos para projeto em Caraguatatuba,pois até agora tenho feito com recursos próprios, mas a cada dia vejo a necessidade de aumentar
    desde já obrigado

    R: Infelizmente, não tenho ninguém a indicar no momento.

  8. […] que as ONGs vendem? Escrevi no texto “Captador de Recursos: quem é e o que faz” que deveria ser ilícito ganhar comissão sobre o valor arrecadado. Essa afirmação gerou […]

  9. Tania Lacerda disse:

    Este espaço tem sido de grande colaboração para nós “construtores de relacionamentos” (captadores de recursos). Parabéns pelo seu trabalho e pela grande ajuda que nos tem dado através dos seus artigos.

    R: Agradeço suas palavras.
    Sempre que possível, entre em contato.

  10. AMIGO DO BEM disse:

    É INADMISSÍVEL OBSERVAR QUE UMA DAS MAIORES , OU A MAIOR CAMPANHA , DE CAPTAÇÃO NO BRASIL, ” CANCER DE MAMA NO ALVO DA MODA” , MANTEM CAPTADOR DE RECURSOS, QUE É O PROPRIO PRODUTOR DA CAMPANHA, (ONÉSIMO – O DONO DO CANCER- DOS OUTROS)MARCA REGISTRADA EM SEU NOME, RECEBENDO PERCENTUALMENTE DE TUDO O QUE A CAMPANHA ARRECADA.
    É UMA ATROCIDADE.

    R: Apenas um comentário adicional: arrecada milhões e gera resultados positivos, não é?

  11. AMIGO DO BEM disse:

    Principalmente, por dois motivos: deveria ser ilícito (e será) ganhar dinheiro/comissão sobre doações e financiamentos para projetos sociais; e, os interessados na função devem ter algum engajamento com o terceiro setor, qualquer coisa diferente disso e elas não conseguem “vender o peixe”.
    DEVERIA SER ” ILICITO”, MAS….NA CAMPANHA ” O CANCER DE MAMA NO ALVO DA MODA ” QUE ARRECADA MILHÕES, ….NÃO É.

    R: Apenas um comentário adicional: arrecada milhões e gera resultados positivos, não é?

  12. Antonio Lucas disse:

    gostaria que voces me ajude a montar uma ong para que eu e meus parceiros consigamos arrecadar recursos para não fechar a escola pois estamos atualmente com 200 alunos carentes e os pais não tem condiçoes de pagar uma mensalidade porque a escola fica em um bairro pobre da periferia de Guaruja, e a nossa despesa como lavagem de uniformes, bolas, funcionarios, aluguel do campo, luz, agua, transportes, compra de uniformes, ja não estamos conseguindo arcar com todas esses despesas, e com a ong teriamos condiçoes de trabalhar e tirar das ruas proximo de 500 crianças, espero um retorno de voces e parabens pelo site ilustrativo.

    R: Para mais informações sobre abertura de ONG peço que leia o texto “Como montar uma ONG” disponível no blog.

  13. Josefa Francisca de Oliveira disse:

    Muito bom os seus esclarecimentos,gostaria muito de obter mais informações sobre captação de recursos, sou presidente de uma associação de recilagem e estou com muita dificuldade de obter recursos para o andamento do projeto devido não ter conhecimento de como buscar estes recursos. Se poder me dar alguma ajuda fico muito grata.

    R: Existem mais textos sobre captação de recursos no meu blog que podem te ajudar. Mas, o essencial é ter o projeto escrito e um mapeamento de quem poderia ajudar a financiar o projeto.

  14. Gabriela disse:

    Prezados,

    Bom dia.

    Gostaria de saber se seria ilegal o diretor de uma ONG contratar serviços de uma empresa da qual ele é sócio, mesmo se o objeto social da mesma se encaixar perfeitamente nos serviços dos quais a ONG necessita e o preço for compatível com o de mercado. Antecipo agradecimentos e aguardo retorno (através do e-mail, se possível).

    Atenciosamente,
    Gabriela Santarosa

    R: Ilegal não é, desde que o recurso não seja proveniente do Estado, pois, sendo assim, é necessário licitação.
    Contundo, mesmo não sendo recursos do Estado, é bom verificar o que outros membros e associados pensariam disso para não provocar um mal estar.

  15. Leticia disse:

    Olá, tudo bem?
    Estou procurando empresas ou pessoas captadoras de recursos para projetos culturais, você poderia me ajudar nisso?

    Obrigada,
    Leticia Corrêa

    R: Indico duas empresas: DEARO e Gaia Brasil, seus sites: http://www.dearo.com.br e http://www.gaiabrasil.com.br

  16. Normando Rabelo disse:

    Tenho um projeto aprovado R$ 1.000,00. Preciso de captador de recursos.
    email: ninaabreuproducoes@uol.com.br.
    Aguardo contacto urgente.

  17. nina abreu disse:

    enho um projeto aprovado pela ancine no art.primeiro R$ 1.000,oo. E preciso de captador de recursos.Favor entrar em contato pelo email.ninaabreuproducoes@uol.com.br.
    Grata.

    R: Infelizmente, não trabalho com captação de recursos. Indico a DEARO (www.dearo.com.br).

  18. Paulo Alves disse:

    Muito boa sua explanação sobre captação de recursos
    mas,principalmente quando enfoca-se a questão da cumplicidade entre o captador e o projeto,principalmen
    te com instituições que sugerem uma auto-doação.Sou
    voluntário em uma ong,e de certa forma me presto a es
    te papel.Mas também acho que não se pode ser hipócrita
    em pensar que uma pessoa que se dedica integralmente à
    uma causa,não tenha o minimo para sua sobrevivência.

  19. Mª L. C. LIMA disse:

    ESTOU DESENVOLVENDO UM PROJETO NA ESCOLA ONDE TRABAHO. O PROJETO É DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL. COMO O PROJETO É GRANDE E NÃO TEM RECURSO DISPONÍVEL, COMO FAZER PARA CONSEGUIR UM PATROCINADOR?

  20. viviane ferreira disse:

    gostaria muito de estar fazendo um curso sobre captador de recursos.Vc teria algum para me indicar?Abraço.

    R: No site da DEARO você poderá encontrar esse curso (www.dearo.com.br), como também no site da ABCR (www.captadores.org).

  21. Joice disse:

    Olá,

    Resídono RS Porto Alegre,sou Analista de Captação de Recursos. Gostaria, se possível que me indicasse, para algum projeto, caso alguem tenha interesse.

    Obrigada.

    Joice Giannechini

    R: Estarei montando um banco de dados de profissionais para disponibilizar no blog em breve. Passe seus contatos completos, por favor.

  22. NELSON BRITO CARDOSO disse:

    GOSTARIA DE SABER QUAL O PERCENTUAL COBRADO NA CAPTAÇÃO DE RECURSOS.

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