Captador de Recursos: quem é e o que faz

sexta-feira, 15 fevereiro, 2008

O captador de recursos, em síntese, é o responsável pela mobilização de recursos financeiros ou materiais para a manutenção de uma instituição ou de projetos específicos.

Muitas pessoas visualizam essa função como uma profissão promissora e apostam no terceiro setor para isso. Muitas ONGs acreditam que só um captador é capaz de salvá-la e apostam nos captadores para isso. Há algo de errado nessas duas afirmações.

Na primeira, as pessoas não deveriam enxergar na profissão de Captador de Recursos mais uma forma de ganhar dinheiro ou explorar o mercado. Principalmente, por dois motivos: deveria ser ilícito (e será) ganhar dinheiro/comissão sobre doações e financiamentos para projetos sociais; e, os interessados na função devem ter algum engajamento com o terceiro setor, qualquer coisa diferente disso e elas não conseguem “vender o peixe”.

Na segunda, as ONGs não podem creditar o seu sucesso ou insucesso na figura de uma única pessoa. Muitas vezes, os problemas começam na definição da missão da organização e não na incapacidade de gerar recursos através da captação. É preciso pensar estrategicamente, gerindo a instituição de forma responsável e organizada, para que ela possa ter a estrutura necessária para abraçar projetos financiados. Pois, quanto mais dinheiro um financiador disponibiliza, mais exigências ele faz.

Especialmente, o captador de recursos deve ser um membro da organização. Deve ser alguém que conheça a missão, os objetivos, os projetos e atividades da ONG. Assim, ele pode responder a todas as questões feitas pelo financiador, mostrar comprometimento e razão para estar ali.

Muitas consultorias oferecem serviço de captação de recursos. Acredito que sejam válidas quando a ONG nunca trabalhou com isso, ainda está tentando se organizar e podem contratar o serviço. Nesses casos, o “captador” possui muito mais um papel de consultor. Ele deve auxiliar a ONG na construção do seu plano de captação, orientar no desenvolvimento e/ou desenvolver o projeto, auxiliar no processo de apresentação e negociação da proposta de financiamento, mas, nunca ser o único a participar do processo do início ao fim. Dessa maneira, a ONG estará apta a caminhar sozinha na ausência do consultor, deixando de depender dos serviços de terceiros.

O captador de recursos deve ser visto como uma pessoa estratégica para a ONG, precisa estar inserido nos processos de decisão, seleção e confecção dos projetos, participando de reuniões e eventos e tendo liberdade para tomar determinadas decisões. Isso porque será ele o responsável por mostrar a ONG a outras instituições.

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