A necessidade de mais profissionalização no Terceiro Setor

Como escrevi no texto O processo de captação de recursos, a maioria dos recursos destinados a execução de projetos sociais está sendo proveniente do setor privado. E isso vem definindo a nova forma de trabalhar de muitas organizações.

Organizações têm contratado profissionais do mercado para ocupar funções estratégicas (captação de recursos, comunicação, gestão de projetos etc), no intuito de facilitar esse diálogo com o setor privado. É interessante observar esse movimento, pois indica que, com essa profissionalização, o terceiro setor tem muito a ganhar, já que envolve o desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade e crescimento. O risco é a organização esquecer dos seus propósitos sociais em função da perseguição de metas de sucesso que não se encaixam no perfil do terceiro setor.

Ou seja, para acompanhar a evolução no terceiro setor, ainda falta a presença de profissionais capacitados que consigam “ler” as regras do setor social e consiga uni-las, sem detrimento deste, às regras do setor privado.

O que fazer, então? Há três possibilidades: ou se contrata um profissional do setor privado com a experiência que a instituição precisa e capacita-o para que ele tenha o engajamento social necessário, conhecendo a missão e os objetivos da organização que ele vai representar. Ou capacita um profissional da própria organização que tenha o perfil adequado, para que ele adquira as competências e habilidades necessárias para a execução da nova função.

Na ausência de um ou de outro profissional, a contratação de consultorias também tem sido uma alternativa para muitas ONG’s. O consultor se responsabiliza, dentre outras coisas, por transferir seu conhecimento técnico dentro de um programa de trabalho que pode envolver desde a confecção de um planejamento estratégico, o plano de captação, até o desenvolvimento de projetos específicos. A ONG, portanto, deve aproveitar a oportunidade para aprender, junto com o consultor, aquele conhecimento que ela não tem.

Independente do profissional contratado, a profissionalização do terceiro setor é um marco para as ONG’s, pois garantirá a elas, pelo respaldo conquistado não somente pela nobreza das boas intenções mas pela validade técnica na condução dos seus trabalhos, o respeito e a valorização por parte dos outros setores, que enxergarão organizações interessadas em melhorar processos, ampliar serviços, trabalhar com qualidade e confiabilidade, sendo mais uma porta de entrada para o apoio desses setores no desenvolvimento de projetos sociais.

Anúncios

One Response to A necessidade de mais profissionalização no Terceiro Setor

  1. MARCOS ROBERTO disse:

    Ola!

    O texto em questão esta totalmente correto… Aqui no Espirito Santo acontece da mesma forma. Sou integrante de 3n entidades e vivia essa dificuldade. Mas agora felizmente, comecei aqui um curso lançado semana passada e se iniciou ontem, para forma GESTORES DO TERCEIRO SETOR. O curso tem uma grade curricular maravilhosa dentro do finaceiro, juridico, planejamento estrategico, sistema organizaciolal, capacitação de recursos, elaboração de estatutos e projetos e outras pastas. Serao 300 horas de aulas muito bom mesmo. Assim nos nao precisaremos contratar pessoas externas para esse trabalho.

%d blogueiros gostam disto: