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Após duas semanas de votação, a enquete “Quais dificuldades as ONGs menores enfrentam?” chegou ao seguinte resultado a partir de 126 votos:
| Dificuldade | Votos | % |
| Em captar recursos | 45 | 36% |
| Na gestão | 24 | 19% |
| Em conseguir parcerias | 21 | 17% |
| Na hora de elaborar projetos | 21 | 17% |
| Em conseguir voluntários | 10 | 8% |
| Em realizar eventos | 5 | 4% |
O que é interessante perceber é que a dificuldade em captar recursos esteja à frente de dificuldades na gestão da ONG. Pois, se há problemas na captação de recursos, isso também é um fator ligado à gestão, assim como conseguir parcerias e elaborar projetos.
Está tudo interligado. Afinal, quem não sabe o que quer ou aonde deseja chegar, não conseguirá definir como e o que captar. A realização de eventos também é uma forma de conseguir recursos e parceiros…
Um plano de captação, por exemplo, começa na definição da missão e objetivos da ONG. Os projetos elaborados para pleitear os recursos também. Será que, após essa constatação, ainda assim as ONGs menores continuam achando que o problema está na captação de recursos?
Sem querer questionar o resultado legítimo da enquete, é preciso pensar de forma sistêmica, em como a interdependência de funções e setores influencia nos resultados.
Captar recursos é a maior dificuldade por quê?
Posso arriscar algumas respostas:
De forma geral, não está tudo também relacionado à gestão da ONG?
Agora, convido os leitores a refletirem sobre esses pontos, concordarem ou discordarem, e, se possível, adicionar outras informações relevantes nos comentários deste texto.
Vamos ampliar essa discussão?
Muitas ONG’s dedicam-se a investigar e acompanhar o que empresas e governos realizam de positivo e negativo para a sociedade. Elas estão atentas às agressões ao meio ambiente e às minorias, prontas para defendê-los, recuperá-los e, no caso das minorias, fortalecê-las.
Para isso, cobram de governos e empresas um quesito essencial para proporcionar o diálogo e as soluções conjuntas: a transparência. Cada vez mais as instituições-alvo das ONGs estão mais vulneráveis às informações disponibilizadas na sociedade. Essa transparência pode ser sentida nas publicações de relatórios anuais (os conhecidos balanços sociais), nos convênios firmados, nas contas públicas expostas e em tantas outras ocasiões.
Por serem as ONGs grandes vigias da sociedade, elas também se tornam alvo de empresas, governos e comunidade em busca da transparência nos seus projetos e nos recursos utilizados de terceiros. Daí vem a importância em avaliar e monitorar constantemente os seus projetos sociais. Sendo esta a tarefa que a ONG tem em levantar as informações necessárias para divulgar os resultados obtidos.
Há que se monitorar para depois avaliar. O monitoramento consiste, basicamente, em acompanhar o andamento do projeto no dia-a-dia, verificar se o plano de ação está sendo cumprido e se as metas estão sendo alcançadas. O monitoramento possibilita a identificação de problemas e possibilita solução.
A avaliação, por sua vez, destina-se a verificação dos indicadores quantitativos e qualitativos definidos para o projeto em questão, onde são postos à prova os mecanismos de gestão adotados pela entidade. A avaliação permite identificar pontos críticos e proporciona a resolução desses antes que comprometam o resultado final do projeto. Geralmente, também são avaliados as contas e gastos da ONG dentro do orçamento definido.
O monitoramento e a avaliação passam a ser requisitos essenciais para o financiamento de projetos sociais, pois, as empresas querem saber como o seu recurso foi investido e quais os impactos que esse financiamento causou ou causará ao público-alvo.
Consultores e profissionais da área, bem como os gestores de empresas responsáveis pela liberação de recursos afirmam que a avaliação e monitoramento de projetos devem ser feitos por terceiros, para garantir a exatidão dos dados e a integridade das informações, uma vez que, não se identifica ou registra vícios.
A publicação dos resultados dos projetos sociais também proporciona um trabalho positivo de imagem, onde a organização demonstra a seus parceiros que sabem gerir recursos e projetos, trabalhando com confiabilidade e conquistando ainda novos parceiros.