Eu precisava publicar…

Quinta-feira, 29 Outubro, 2009

afroreggae_carta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: http://marcelotas.blog.uol.com.br/


Resultado da Enquete “Quais dificuldades as ONGs menores enfrentam?”

Terça-feira, 13 Outubro, 2009

Após duas semanas de votação, a enquete “Quais dificuldades as ONGs menores enfrentam?” chegou ao seguinte resultado a partir de 126 votos:

Dificuldade Votos %
Em captar recursos 45 36%
Na gestão 24 19%
Em conseguir parcerias 21 17%
Na hora de elaborar projetos 21 17%
Em conseguir voluntários 10 8%
Em realizar eventos 5 4%

O que é interessante perceber é que a dificuldade em captar recursos esteja à frente de dificuldades na gestão da ONG. Pois, se há problemas na captação de recursos, isso também é um fator ligado à gestão, assim como conseguir parcerias e elaborar projetos.

Está tudo interligado. Afinal, quem não sabe o que quer ou aonde deseja chegar, não conseguirá definir como e o que captar. A realização de eventos também é uma forma de conseguir recursos e parceiros…

Um plano de captação, por exemplo, começa na definição da missão e objetivos da ONG. Os projetos elaborados para pleitear os recursos também. Será que, após essa constatação, ainda assim as ONGs menores continuam achando que o problema está na captação de recursos?

Sem querer questionar o resultado legítimo da enquete, é preciso pensar de forma sistêmica, em como a interdependência de funções e setores influencia nos resultados.

Captar recursos é a maior dificuldade por quê?

Posso arriscar algumas respostas:

  • Não há um planejamento prévio sobre as necessidades de recursos e os captados são sempre insuficientes;
  • Os projetos elaborados não atendem as exigências dos financiadores;
  • As ONGs não sabem onde encontrar os financiadores;
  • As exigências feitas pelos financiadores ultrapassam a capacidade de atendimento da ONG;
  • Faltam profissionais capacitados para a realização deste trabalho;
  • Não conhecem as ferramentas que auxiliam a Captação de Recursos, como o Planejamento Estratégico e o Plano de Captação;
  • A rede de relacionamentos da ONG é restrita;
  • Entre outros.

De forma geral, não está tudo também relacionado à gestão da ONG?

Agora, convido os leitores a refletirem sobre esses pontos, concordarem ou discordarem, e, se possível, adicionar outras informações relevantes nos comentários deste texto.

Vamos ampliar essa discussão?


O custo do comportamento consciente

Quinta-feira, 24 Setembro, 2009

Em alguns lugares do mundo, inclusive na Europa, os cidadãos são compelidos a agir de forma consciente quando o assunto é sustentabilidade. Mas, de onde vem essa consciência? Como entidades governamentais, sociais e empresariais estimulam que a sociedade aja em prol da sustentabilidade?

Essa educação vem, principalmente, de uma palavra: custo. Uma perda financeira serve para alertar o cidadão que ele não está agindo de forma consciente e deve repensar seus hábitos. Do custo, surge a reflexão, a pesquisa, a informação. Assim, criam-se consumidores que conhecem as origens, formas de produção, uso e descarte do bem que deseja adquirir.

Abaixo, alguns exemplos de ações adotadas por países como a Alemanha.

A educação para a ordem:

Os carrinhos de supermercado largados no meio do estacionamento atrapalhando manobras e pedestres são um pesadelo distante na Alemanha. Para usar um carrinho, deposita-se € 1,00 num dispositivo e o carrinho está livre para utilização. Para ter o dinheiro de volta, é preciso devolver o carrinho para o mesmo lugar.

Redução da poluição nos centros das cidades:

Precisa ir ao centro? Vá de transporte público. Além de funcionar com bastante pontualidade e conforto, você ainda pode ter, ao menos, quatro opções de transporte: ônibus, bonde e metrô e trem. Quer ir de carro? Pode ir. Mas, não reclame a falta de estacionamento gratuito nas ruas comerciais. Não há. Se estiver disposto a pagar € 2,00 ou mais por hora, fique à vontade. Sai muito mais caro do que pagar pelo transporte, tenha certeza, além de evitar os engarrafamentos e reduzir a emissão de poluentes.

Separação do lixo:

Todas as cidades alemãs possuem coleta seletiva. Alguns apenas com os recipientes básicos: recicláveis e orgânicos. Outros têm todos os possíveis: papel, plástico, metal, madeira, orgânico, não-reciclável… O certo é separar de acordo. Caso contrário, o morador pode ser multado pelo mau uso e descarte do seu lixo.

Sacolas retornáveis:

Se for fazer compras, não esqueça a sua sacola retornável, seja ela de tecido, plástico mais resistente, ou mesmo a mochila escolar. Caso contrário, ou levará as compras na mão, ou terá que pagar por uma nova sacola retornável cerca de € 0,15. Nenhum supermercado possui mais sacolas plásticas para oferecer de graça aos clientes. Padarias, lanchonetes, delicatessens sim, por enquanto.

Retorno de garrafas:

Está caminhando, longe de casa e ficou com sede. O movimento natural é parar numa lanchonete e comprar uma garrafa de água. Até aí tudo bem. Mas, quanto você quer pagar pela garrafa? Sim, pela garrafa. Caso você compre a água e continue seu caminho, além de pagar a água que bebe, pagará por levar a garrafa. Digamos que a água de 500ml tenha custado € 0,50, pelo menos, € 0,15 representa o valor da garrafa. Contudo, se decidir beber a água na lanchonete e devolver a garrafa ao balcão, terá de volta os seus € 0,15. O mesmo acontece com os sucos, refrigerantes etc que compra no supermercado. Levando para casa, consumindo e devolvendo ao supermercado de origem, terá o “depósito” da garrafa revertido em vale-compras. Dessa forma, centraliza-se os pontos de coletas das garrafas para que sejam recicladas e não há desperdício de recipientes em demasia.

Licenciamento dos carros:

O valor do imposto pago pelo carro é diretamente proporcional ao consumo de combustível e emissão de poluentes do modelo escolhido. Quanto mais ele polui, mais imposto ele paga. Ainda, o dono do veículo precisa de um selo adesivado no parabrisa e fornecido por órgão competente que certifique que o carro emite um nível tolerável de poluentes e, por isso, ele é autorizado a andar em determinados pontos da cidade, como o centro. Caso ele não tenha o selo e esteja em local proibido, a multa é automática. Na dúvida, melhor ir de transporte público.

Esses e outros exemplos fazem com o que o consumidor pense antes de decidir realizar uma compra, seja de uma simples garrafa de água à troca do carro por um modelo mais novo. Desses questionamentos surgem comportamentos que tornam ações sustentáveis em ações cotidianas que só contribuem para a melhoria da vida das pessoas naquela região, refletindo também em outros ambientes. É um movimento cíclico e real.


Desenvolvimento Sustentável

Terça-feira, 25 Agosto, 2009

Muito mais do que trabalhar o tripé da sustentabilidade, atendendo aos requisitos ambientais, sociais e econômicos, desenvolver produtos sustentáveis requer mudanças de paradigmas, desmistificação de termos e conceitos.

Nem toda empresa que quer adotar essa estratégia de mercado está pensando apenas em sua imagem, como nem todo mercado está apto a receber produtos desta origem. Desenvolvimento sustentável não está ligado à benemerência das empresas e de outras entidades sociais. Está ligada a sustentabilidade do negócio, em conseguir imaginá-lo lucrativo nos próximos dez ou vinte anos dentro dos parâmetros atuais de mercado e escassez de recursos.

Estar em equilíbrio com os três fatores (ambiental, social e econômico) é saber que este equilíbrio irá perdurar e trazer resultados positivos para as instituições que o adote, seja lucro, imagem diante dos consumidores, liquidez e solidez de mercado.

Se estamos pensando no tripé é claro que podemos falar de lucro, aí está o fator econômico. E porque não falar em um lucro sustentável, onde toda cadeia produtiva envolvida ganha? Qual o tabu em admitir que empresas que assumem o desenvolvimento sustentável como premissa estão pensando em ganho de lucratividade? Sim, estão.

Contudo, este lucro não é um ato solitário, mas um ato solidário, em que comunidades locais, entidades sociais, governo, meio ambiente e outros atores envolvidos na cadeia de valor recebem em troca, cada qual a seu modo, parte desta lucratividade. Seja no pagamento de impostos, no trato com reservas florestais, no consumo de produtos locais etc.

Além do que, toda produção e consumo geram impactos positivos e negativos. A chave do desenvolvimento sustentável é fazer com que os impactos positivos superem os negativos. Daí também está a necessidade de lucrar para reinvestir em soluções e tecnologias que permitam isso.

Rever conceitos, desenvolver novos paradigmas, criar novos mercados e soluções sustentáveis é o desafio para os próximos anos.


Manifestações contra os efeitos da crise

Terça-feira, 31 Março, 2009

Desde o dia 28 de março que cidadãos, entidades sociais e sindicatos europeus organizam manifestações contra os efeitos da crise financeira no mundo. Com slogans como “Não vamos pagar a vossa crise”, “Put people first” (Coloquem as pessoas em primeiro lugar, em tradução livre), os manifestantes esperam chamar a atenção dos líderes no encontro do G-20 que ocorrerá em Londres no dia 02 de abril, mantendo as manifestações por todo o período.

Em cidades como Londres, Lisboa, Paris e Berlin, as pessoas foram às ruas pacificamente mostrar sua força enquanto maiores prejudicados com a crise, reivindicando soluções mais humanas e de respeito à natureza, indo de encontro às soluções antissociais que os países estão tomando para resolver a crise.

“O G20 e os governos já mostraram que só estão interessados em salvar o sistema, manter os privilégios de uma minoria e socializar os prejuízos gerados pela crie. Face a isso, é preciso uma grande mudança no sistema e exigimos a aplicação imediata das seguintes medidas: abolição dos paraísos fiscais, novas taxas, particularmente sobre transacções financeiras, limitação de salários milionários e a construção de um sistema bancário e financeiro público”, diz Aurélie Trouvé, presidente da ATTAC França.

São essas e outras mudanças que as manifestações populares programadas e realizadas na Europa cobram dos lideres mundiais. Não discordo das palavras ditas pelo presidente Lula quando ele afirmou recentemente “que a crise foi provocada por brancos de olhos azuis”, por uma minoria rica e privilegiada pelo sistema capitalista e que, apesar da crise, continua sendo favorecida pelos governos para salvar um sistema financeiro que não produz e demitindo milhares e milhares de pessoas em todo o mundo, sendo esses últimos os que, realmente, pagam a conta. Contudo, esses mesmos brancos de olhos azuis, não ricos e vítimas das demissões em massa que estão ocorrendo, principalmente na Europa e nos EUA, estão se organizando socialmente para exigir mudanças no sistema – ou mesmo, um novo sistema – para que ele passe a favorecer também aos pobres, trabalhadores e àqueles que não recebem comissões milionárias de grandes empresas.

Esse ponto de vista, a mídia brasileira não divulga. Acessar os principais portais de notícias na categoria “Mundo” ou “Economia” hoje para pegar referências é ler manchetes como “Ministra britânica se arrepende de usar dinheiro público para pagar pornô” e nenhuma referência a essas ações sociais que reivindicam os direitos de trabalhadores do mundo inteiro.

Curioso é saber que o movimento foi discutido no Fórum Social Mundial, ocorrido em Belém/PA em janeiro deste ano, resultando num dia de ação global em resposta a crise financeira e suas consequências para o povo. E esse dia foi o dia 28 de março de 2009. Todavia, eu estava preocupada em apagar as luzes das 20h30 às 21h30 num gesto simbólico contra o aquecimento global que ninguém viu e esqueci-me de sair às ruas para pedir atenção a uma maioria que, diante da crise que avança, é uma minoria desprovida de voz e direitos.

É uma pena que não consigamos nos unir, como lá, para exigir as mudanças necessárias. Porque esse modelo financeiro-capitalista, que agride brancos, negros, vermelhos, amarelos, mestiços, todos não ricos, e a natureza com sua poluição e destruição em massa já morreu e, aposto que, o único ser que a história conhece capaz de ressuscitar mortos não estaria ao lado de quem provocou a crise.

Não podemos pagar essa conta.

Mais detalhes: BBC Brasil