É interessante notar a quantidade de mitos e preconceitos que existem entre o setor privado e o setor social. Cada um tem uma caricatura desenhada do outro em suas mentes e culturas. O setor privado acha que o setor social é repleto de pessoas que andam de havaianas e bermuda, cheios de idealismos surreais e nenhum profissionalismo. O setor social enxerga os empresários e diretores de grandes empresas como “almofadinhas” engravatados que ficam atrás de suas mesas, dando ordens e pensando na próxima viagem que farão para a Europa.
Esses estereótipos podem até existir, mas nem por isso servem para generalização. Existem engravatados em ONG’s, assim como existem diretores de bermuda e havaianas nos escritórios.
Tanto o setor privado quanto o setor social tem sofrido mudanças significativas. As empresas começam a se preocupar com a sustentabilidade e as ONG’s começam a se preocupar com a sua sustentabilidade. Porém, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Vejamos:
As empresas começam a se preocupar com a sustentabilidade da sociedade, com a responsabilidade social, com o desenvolvimento e financiamentos de projetos nessas áreas. Alguns podem agir por “modismo”, mas não é possível que todas as empresas ajam da mesma maneira. E, mesmo que ajam, a moda vai passar e só vão sobreviver aquelas realmente engajadas, porque a sociedade está mudando também.
As ONG’s, além de se preocuparem com o desenvolvimento sustentável, passam a se preocupar com a sua sobrevivência, com a sustentabilidade da sua estrutura. Dessa forma, começam, cada vez mais, a depender da visão social das empresas para financiamento dos seus projetos.
Todavia, algumas ONG’s não conseguem oferecer seus projetos para a apreciação de algumas empresas em função de uma resistência criada através desses estereótipos mal formulados. Então, muitas vezes, perdem ótimas oportunidades de parceria e SUSTENTABILIDADE. O mesmo acontece com empresas, que deixam de fechar parcerias para trabalhos sociais por não confiarem na capacidade de algumas ONG’s.
O mundo mudou, as necessidades são outras e a bandagem do preconceito deve cair. Eu não estou aqui para roubar seu dinheiro, as empresas não estão aqui só para enriquecerem os donos e você não está aqui para viver só de sonhos.
Os mitos, aos poucos, estão caindo. Ainda bem.