O que as ONGs vendem?

segunda-feira, 7 julho, 2008

Escrevi no texto “Captador de Recursos: quem é e o que faz” que deveria ser ilícito ganhar comissão sobre o valor arrecadado. Essa afirmação gerou algumas reações que serão discutidas a seguir.

Algumas pessoas me procuram para captação de recursos. Reconheço a importância desse trabalho, bem como dos profissionais da área. Sei que é muito importante ter uma vasta rede de relacionamentos e também sei que isso leva tempo e é preciso muito investimento. Além disso, são anos de experiência acumulada que valem muito.

Não posso deixar de citar um comentário recebido: “Temos que acabar com a idéia de que quem atua no 3º setor é missionário, que não tem contas para pagar e que seu tempo, dedicação e preparo não valem dinheiro. O 3º setor vem com o compromisso de profissionalizar as pessoas que nele atuam para que estas deixem de ser amadoras e aventureiras.” Concordo plenamente. Por isso mesmo, escrevi o texto “Quanto se quer investir para vencer?”.

Mas, recentemente recebi um e-mail que me deixou estarrecida. Convidavam-me a trabalhar com Captação de Recursos e o que fosse captado seria dividido em três partes iguais: uma para o grupo de pessoas que concebeu o projeto, uma para a instituição que estava intermediando o projeto e a outra para o captador. Dividir em partes iguais pode parecer justo, mas não acho justo quando isso fica parecendo um comércio.

Uma coisa é a ONG vender o seu projeto, outra é ela se vender. Como é que se planeja um orçamento baseado nisso? Inflacionando preços? Ampliando e camuflando horas de trabalho? Deixando explícita essa relação no projeto? Como o financiador/patrocinador/doador se sente ao saber que apenas 1/3 do seu dinheiro será efetivamente utilizado para a concretização do projeto SOCIAL? Como se presta contas disso? Até onde isso é válido e ético?

Por isso, não concordo com o comissionamento de captadores de recursos. A seguir, a resposta ao comentário citado: Eu discordo do comissionamento a partir do momento que observo pessoas despreparadas se proclamando ‘Captadores de Recursos’, em função das oportunidades que as grandes cifras dos projetos criam. Por isso, iniciei falando dessas pessoas. (…) Nesse caso e somente quando eu percebo por parte do Captador seu empenho social e profissional e não meramente ‘oportunista’ é que valorizo o comissionamento. Pois, também sabemos quão carente é o terceiro setor e quão suscetíveis (sic) a falsas promessas ele está.”

Por isso mesmo, não trabalho com captação de recursos. Antes da captação de recursos é necessário que se desenvolva o projeto e o plano de captação, ou muito antes disso, o planejamento estratégico da organização. Sem isso, qualquer ação será em vão, o dinheiro sairá voando num vendaval, as metas não serão cumpridas e o projeto não alcançará o resultado proposto. E com esses processos finalizados, até mesmo a ONG pode fazer a sua captação.

É nisso que acredito: no planejamento e desenvolvimento de ações sustentáveis. Por isso insisto tanto nesses assuntos. Essa é a minha responsabilidade social.


Mobilização Social

quarta-feira, 25 junho, 2008

A questão abordada nesse texto não é a captação de recursos, mas, sim, a mobilização de recursos, que envolve estratégias de como convidar a comunidade ao redor da sua ONG a fazer parte da mesma causa.

Mobilização Social é o envolvimento não de um ou dois indivíduos, mas da sociedade em geral em prol de um objetivo. É a participação conjunta da comunidade, empresas, governos e organizações sociais para a erradicação de um problema social: a fome, a pobreza, a violência urbana ou doméstica, o descaso com o meio ambiente, o desperdício de energia etc.

Abrir as portas de uma ONG não é, simplesmente e literalmente, abri-las. É necessária a criação de programas que façam com que a sociedade passe a se interessar por ela, passe a valorizá-la como agente de mudanças e deseje fazer parte disso.

Como fazer isso? A primeira fase parte do princípio da conscientização. Conscientizar a comunidade de que aquela atividade desenvolvida pela organização, de alguma forma, contribui para a melhoria do ambiente, das pessoas, da qualidade de vida. Mostrar que ações conjuntas, então, provocam maiores resultados ainda.

Mobilizar pessoas para uma passeata, um protesto ou um evento é fácil. Difícil é fazer com que mudem de hábitos. Um exemplo claro é a campanha contra a dengue. As propagandas veiculadas pedem que as pessoas não acumulem água parada em recipientes para não proliferar a larva do inseto. Qual a eficácia dessa campanha? Recentemente, foi divulgado que os focos de dengue só diminuem drasticamente quando esses vídeos são mostrados ao público. Ou seja, o processo de mobilização para uma causa de longo prazo é constante.

Se sua ONG trabalha com a preservação do meio ambiente, através da recuperação de nascentes, por exemplo, ela não deve só mostrar que o fato de jogar lixo na nascente prejudica a saúde do rio, mas também mostrar alternativas. O que fazer com o lixo que não posso jogar naquela nascente? Porque não posso jogar? Se eu não jogo, porque o meu vizinho joga? Todas as pontas devem estar amarradas para que a conscientização aconteça com êxito.

Depois disso, é promover ações que possibilitem que aquilo que foi apreendido pela sociedade seja posto em prática. De que adianta fazer uma campanha de reciclagem de papel se não há uma cooperativa de reciclagem na comunidade? Lembre-se das pontas.


Projetos de Responsabilidade Social

segunda-feira, 9 junho, 2008

Observando o movimento de responsabilidade social do país é louvável perceber e destacar o quanto a iniciativa privada tem influenciado esse movimento. As empresas estão cada vez mais engajadas de alguma forma em tornar o desenvolvimento sustentável uma prática comum a todos: consumidores, fornecedores, empresas, governo…

Dessa forma, muitos são os editais lançados por empresas de diversos ramos de atividade para financiar projetos sociais, desde os de cunho ambiental, quanto os de geração de emprego e renda, educação e saúde. Ficar atento a esses editais é um dever das ONG’s que desejam obter financiamentos para seus projetos, sendo esta uma das formas de captação de recursos.

Mais um mito que cai. Não há necessidade de esperar iniciativas públicas ou pensar que o terceiro setor está sozinho. A mobilização empresarial do Brasil em busca de um mundo sustentável surpreende, inclusive, entidades internacionais que têm investido no fortalecimento das redes de responsabilidade sócio-ambiental existentes, capacitando-as e instrumentalizando-as para colocar suas iniciativas em prática. É o exemplo da recente concorrência realizada pela InWEnt, organização alemã, encerrada esse mês, que tinha o objetivo de selecionar parceiros para a capacitação de líderes nos princípios de RSE para posterior multiplicação.

O mercado tem respondido bem a essas ações positivas, agindo de forma consciente e aprendendo a escolher melhor os seus bens de consumo. Motivo pelo qual as empresas que vendem produtos sustentáveis estão crescendo e novas estão surgindo, como se pode verificar no Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis, desenvolvido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, com o apoio do Banco Real ABN AMRO. Nesse catálogo é possível identificar produtos que atendem aos critérios de sustentabilidade de cada região do país.

Dessa forma, a competitividade sustentável criada através da conscientização e do investimento em iniciativas privadas tem proporcionado discussões e claras alterações no mercado brasileiro. É um caminho longo a ser percorrido, mas a resposta aos passos dados está sendo bem positiva.


Plano de Captação

domingo, 30 março, 2008

Assim como o Planejamento Estratégico ajuda uma organização a entender sua missão, estabelecer objetivos e auxiliar com que suas metas sejam atingidas, o mesmo faz o Plano de Captação.

Como escrevi no texto “O processo de Captação de Recursos”, o Plano de Captação guia a organização na execução de suas atividades. Pois determina que caminho o captador deve seguir. Sem ele, há ainda mais entraves para a captação de recursos.

Mas, o que é, afinal, o Plano de Captação? Basicamente, é o planejamento estratégico da captação. Por isso mesmo, deve ser norteado pela missão e pelos objetivos estratégicos da organização. É nele que são definidos, por exemplo:

  • Os objetivos e metas da captação,
  • Identificação e mapeamento dos potenciais doadores,
  • Análise dos pontos fortes e fracos,
  • Definição do público-alvo e das estratégias utilizadas para alcançar cada público,
  • Desenvolvimento do plano de ação e orçamento, entre outras coisas.

O Plano de Captação pode ser montado para projetos específicos ou para um conjunto de projetos, desde que dentro dos objetivos estabelecidos. Para cada Plano de Captação desenvolvido haverá um Plano de Ação que servirá para estabelecer prazos, responsáveis e recursos para a realização das ações de cada objetivo.

Com o Plano de Captação em mãos, a organização sabe o que, aonde e de que maneira mobilizar recursos. E, principalmente, sabe quem são os potenciais doadores e como fazer para tornar essa doação de pontual para permanente, utilizando ações de marketing e suas ferramentas para estabelecer vias de contato com empresas e sociedade.

Marketing? É. Marketing.


Cursos

domingo, 17 fevereiro, 2008

Acontecerão dois interessantes cursos nos próximos meses. Um em Salvador, na Bahia e outro no Rio de Janeiro, Capital.

Segue os dados:

Elaboração de Projetos Sociais
Enfoque do Marco Lógico

Data: 06 e 07 de março de 2008. Horário: 08:00 às 12:00 e das 13:30 às 17:00

Local: Pisa Plaza Hotal/ Salvador – BA

Ministrante : Profa. Tânia Narciso

Informações: (31) 3482-6981/ (71) 3241-0889

narcisotania@uol.com.br

oris.projetossociais@uol.com.br

athenasconsult@yahoo.com.br

E

Oficina de Elaboração de Projetos Sociais e Culturais e sua Captação de Recursos

Que será realizada na ABERJ – Associação de Bancos do Estado do Rio de Janeiro nos dias, 11, 12, 13 e 14 de abril de 2008.

Ministrado pelo Consultor Ricardo Falcão

Mais informações:

www.awrio.com.br/cursos

telefone: (21) 2629-3882

e-mail: cursos@awrio.com.br


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